segunda-feira, 9 de julho de 2012

Resenha do livro "No teto do mundo": com que medimos a grandeza de um homem?




                Nos momentos que não estou movimentando o físico (e nem estudando), gosto da possibilidade de “viajar” com a literatura. Falam em cultura de montanha referindo-se às práticas de vida adotadas pelos amantes das encostas escarpadas. Entretanto existe uma outra 'cultura de montanha' que é um hábito antigo desde os tempos dos primeiros expedicionários: escrever sobre as experiências vividas. Além das realizações físicas, as grande aventuras sempre envolvem uma certa dose de questionamentos que nos remetem às nossas mais profundas filosofias.  Um bom livro é como uma boa viagem: consegue reproduzir no seu imaginário aquelas experiências que o narrador viveu. Quanto mais nos aproxima dos sentimentos, dos gostos, dos cheiros, das cores, mais consegue nos transportar para dentro daquele universo e, além do mais, nos da aquela vontade (ou angústia) de nós mesmo provar aquilo que outro provou.


            Assim que vejo o livro recém publicado No teto do mundo (2011) de Rodrigo Raineri e Diogo Schelp. Encontro primoroso entre um aventureiro, suas vivências e um excelente escritor que consegue dar uma linha prazerosa  de leitura a narrativa. Com um vocabulário simples, analogias interessantes que são da nossa cultural geral, o texto se desenvolve de forma brilhante fazendo o leitor se sentir como um obeso insaciável querendo, sem limites, comer o último M&M's do pacote. Será uma febre do cume? Algo do tipo...

            Rodrigo Raineri é um escalador brasileiro com um currículo de alta montanha de dar inveja a grandes escaladores internacionais. Teve seu talento reconhecido após escalar a temida face sul do Alconcaguá na companhia de seu (finado) amigo Victor Negrete, considerada umas das vias mais difíceis e arriscadas do mundo. Também passou quatro expedições em busca de fazer cume no pico mais alto do planeta e, no caminho, perdeu seu maior parceiro. Conseguiu tal feita por duas vezes (2008 e 2011), se não bastasse agora tenta saltar de parapente do cume do Everest. Desistiu de uma vida segura oferecida por um trabalho convencional para viver seu sonho. Sua trajetória é digna de filme, mas foi perpetuada neste primoroso livro.  Como lembrou nosso grande Guimarães Rosa “ Agente vive é para provar que viveu”, faz jus a vida desse homem.

            Com um senso de prudência espetacular, Rodrigo Raineri, mostra que se expor à grandes aventuras não é um ato inconsequente de vaidade dentre seus pares e da grande mídia, mas um jogo de conquista que envolve a relação do montanhista consigo mesmo e uma espécie de namoro com a montanha. No final não há vitórias, mas relações entre o homem e a montanha, um caminho duplo de ida e volta. Livro que nos remete a pensar, por que vamos a estes lugares? Por que temos essa necessidade de passarmos tão perto da morte? (E olha, ele passou perto dela um par de vezes: através dos corpos cristalizados na subida do Alconcaguá e do Everest e perdeu seu grande amigo e parceiro de escalada). O livro não tenta dar respostas a estas perguntas e nem os eventos trágicos foram suficientes para freiar a motivação desse aventureiro.

             O caminho é sem retorno, a montanha já é parte do seu ser, uma necessidade imanente. Isso transparece de forma bela pelas linhas. A minúcia da organização das expedições demonstra, a despeito de todo desejo de cume, a vontade de viver. A narrativa não respeita a cronologia das empreitadas. Como uma mente em ação, o texto vai e volta nas expedições realizadas dando uma linha aos temas que os capítulos descrevem conduzindo o leitor ao âmago dos questionamentos sofridos por ele. Mais que um super-homem indo em busca de um grande feito, Rodrigo (se permite a intimidade) mostra-se como um sujeito comum, tão forte e tão frágil, cheio de dúvidas e medos, mas com um força incrível para desafiá-los. 

            Assim como a foto do cume que nos faz querer ir lá, deixo um trecho para aguçar a vontade da leitura.



“Olhei ao meu redor. Podia avistar os limites do planeta, longe, muito longe. O cume do Everest é uma plataforma levemente abaulada, de, no máximo, 20 metros de largura e uns 50 metros de comprimento, que acompanha o declive da montanha. Em alguns pontos há neve, em outros, rocha aparente. Simples assim. Incrível o que se é capaz de enfrentar apenas para ter a satisfação de estar ali. O homem é do tamanho dos seus sonhos.”



            Boa Viagem!







RAINERI, Rodrigo, 1969. No teto do mundo / Rodrigo Raineri com Diogo Shelp. São Paulo: Leya, 2011. 272 p.
            








        

domingo, 17 de junho de 2012

Copa Brasil de Corrida de Aventura - Vitória-ES



        Feriado de Corpus Christis e uma programação bem empolgante, competir o primeiro campeonato brasileiro supervisionado pela recém criada confederação brasileira de CA. O evento foi um espetáculo e nos apresentou, mesmo embaixo de chuva, as belezas da região litorânea e serrana do Espirito Santo.
    A organização foi excelente e nos proporcionou, além de uma bela prova, uma verdadeira reunião entre os amantes da corrida de aventura. Sem nenhum custo a prova se encarregou desde a logística completa de equipamentos e pessoas como da hospedagem, diga-se de passagem, excelente! Um evento e tanto!
           A prova era pra ser realizada exclusivamente na modalidade dos quartetos, mas no final acabou incluindo as duplas. Bom, contatei meu amigo Hugo e formamos a Dupla Harpya. Minhas ultimas provas tenho disputado na categoria solo e, apesar de gostar dos desafios que solo proporciona, correr em dupla é uma experiência interessante e bem mais segura. 
Estávamos fazendo uma prova excelente, andando na frente as primeiras pernadas, chegando a liderar a geral e a categoria. Uma série de erros na navegação noturna fez com que caíssemos da primeira para a quarta colocação. Tudo bem, esse é o risco que corremos na navegação. Apesar de ter passado mal  e ficado perdido a noite toda, no dia seguinte, resolvemos completar a última parte da prova: 30km de remo! Foi ótimo remar por cinco horas rio abaixo e desembocar no encontro com o mar. 
           O mais importante desta prova foi perceber que fisicamente temos condições de andar com os melhores do Brasil. A navegação precisa ser aperfeiçoada, mas creio que em breve a Harpya pode nascer como mais um quarteto para disputar as grandes provas do Brasil. Um sonho que nasceu entre eu e o Marcus, que atualmente está se dedicando a vida profissional e não pode competir. Também tive o privilégio de competir com outro grande amigo, Felipe. O mais interessante é que todos nós somos amigos de faculdade e ex-alunos de republicas de Ouro Preto. Segundo conta a lenda, só pensamos em beber (bom, de vez quando... rsrs), mas também desenvolvemos valores importantes que são necessários na convivência: espirito de equipe e respeito mutuo. Valores estes essenciais para uma equipe de CA.  
          Harpya será uma equipe que, acima de tudo, tem por objetivo o prazer de estar entre os amigos em situações extremas no meio da natureza. As CA de quartetos e duplas são um palco perfeito para essa reunião, mas outros projetos não competitivos também estão nos planos. Fazemos o que fazemos para vivermos felizes, pois não temos outra forma de viver. Hoje em dia, que guerreiros não gostam de guerra com mortes (alguns...), guerreamos com nós mesmos para sermos pessoas melhores. Harpya 4ever!!

domingo, 13 de maio de 2012

Travessia Serra Fina: cume Pedra da Mina

         Quinta-feira dia 26 de abril, estou no facebook meia-noite conversando com Pablo (Bulcciarelli) sobre a travessia da Serra dos Orgãos que estamos programando para fazer no primeiro final de semana de junho. Papo vai papo vêm, detalhes da travessia discutidos, pergunto a Pablo como estão os preparativos já que no outro dia de manhã ele partiria para tentar fazer a travessia da Serra Fina sozinho e um único tiro (geralmente as pessoas demoram três dias!). Em 15 minutos de conversa ele consegue me convencer a ir acompanha-lo. Na sexta cedo comprei as comidas e as 16:00 já estava no ônibus que vai para Guaratinguetá, onde eu iria saltar no Graal Três Garças e Pablo estaria me esperando.
Mapa com a capacidade dos acampamentos.
A Serra Fina é uma travessia em estilo alpino (você carrega todos seus apetrechos sem contar com serviços de camping ou qualquer tipo de hospedagem) na Serra da Mantiqueira, mas precisamente entre as cidades mineiras de Passa Quatro e Itamonte. Considerada umas das travessias mais bonita e difícil da América do Sul, é uma trilha que segue pela crista da serra passando por diversos picos, incluindo o Pedra Mina (5° maior do Brasil, 2.798 m) e o Três Estados (2.665 m). No horizonte, ao sul você visualiza o Vale do Paraíba, a norte Minas Gerais suas montanhas e picos e a leste o Pico Agulhas Negras no Rio de Janeiro. Alucinante!!!

Cheguei por volta das 9 da noite no Graal TrÊs Garças, Pablo já me esperava. De lá rumamos para a Base de Marins, onde pousaríamos está noite na casa do Miltão (Milton Gouvêa). Ficou combinado com o Miltão que ele nos levaria a entrada da trilha e faria nosso resgate. Acordamos as 5 da manhã, uma neblina forte fazia gotejar pequenos pingos que me deixaram apreensivo, chuva não seria uma experiência legal acima de 2 mil metros de altitude e com vento. Tomamos o café da manhã no carro a caminho, as 7:40 da manhã começamos a trilha pela entrada da Toca do Lobo.

Eu e Pablo.
A primeira parte é uma longa e árdua subida 1000m de desnível. Estava uma neblina que impossibilitava ver o gigante que estávamos subindo, quando passamos a linha dos 2000 m acima do nível do mar ficamos a cima das nuvens, com sol e um visual incrível. Em duas horas estávamos no alto do Capim Amarelo, um dos primeiros lugares para acampar. Seguíamos com um tempo bem agradável e um sol que ajudava a secar a calça que já estava molhada pelo contato com o mato úmido. O ritmo estava ótimo e com pouca dificuldade estávamos encontrando a trilha, ora pelos totens deixados no caminho, ora pelo vão no meio do capim elefante.

A serra é realmente bem fina, tem momentos que você caminha pela crista onde largura dela não passa de 5 metros. Ao longe montanhas escarpadas se impõe fazendo um cenário sublime. No pé da subida para a Pedra da Mina começou um vento forte que nos obrigou a tirar o casaco da mochila. As 14:20 assinamos o livro de cume, a neblina baixou de novo.

É preciso fazer uma pausa e introduzir o leitor nos vários equívocos que cometemos nesta tentativa, que por pouco não resultou nestas matérias que jornal adora. Quando saímos para a travessia não levamos nenhum mapa para nos referenciar e nunca tínhamos estado lá. Estávamos nos orientando pelos picos, e quando assinamos o livro de cume da Pedra da Mina pensávamos que era o Três Estados, pois para nós era o maior pico nesta travessia. No relato a seguir que vou narrar está com os nomes de acordo de onde pensávamos que estavamos, tenha isso em mente ao ler.

Voltando. Descemos seguindo os totens de pedra, feliz tínhamos feito seis horas até os Três Estados, um tempo incrível. De acordo com nossos cálculos em duas horas estaríamos no carro, terminando a travessia. A trilha terminou num vale e tinha uns totens indicando a subida de uma costa de pedra a nossa frente. Seguimos os totens, literalmente no meio da neblina com visibilidade reduzida a meros 20 metros. Em 15 minutos fazíamos cume numa pequena montanha. Paramos e ligamos para o Miltão pedindo que fosse nos buscar, pois chegaríamos as 18:00 horas e não a meia-noite como combinado.
Pedra da Mina se impondo ao fundo.

Descemos esta montanha e nos deparamos com um vale recoberto por um grande charco cheio de capim elefante. Nem rastro de trilha e os totens tinham acabado no cume da montanha. Por duas horas ficamos tentando rasgar o capim elefante para encontrar a entrada da trilha. O Pablo desenvolveu uma verdadeira técnica de transpor o capim elefante, mergulho de peito nele! Rsrsrs. Estava dando desespero de ver aquela situação de ter que pular de peito para andar 5 metros.

Bem cansados resolvemos subir a montanha de novo e ver se não tínhamos perdido os totens mais acima. Subimos no cume e nada de totem para nenhum lado, apenas os que retornavam na trilha que tínhamos vindo. Vi uma trilha descendo a sul da montanha e desci para ver apara onde ia dar. 50 m a abaixo, bem na crista da montanha, tinha os destroços de um avião monomotor na serra. O Pablo ficou bem assustado e deu meia volta na hora. Voltamos e tentamos acessar a internet via celular para tentar encontrar alguma referencia. Estava ruim a conexão e descemos de novo para procurar trilha mais a baixo, pois o rumo da bússola indicava para lá.

Nada de trilha e a noite caiu. Pablo se recordou que no seu celular tinha um email que estava o relato de um cara que tinha feito à travessia. Abriu o email e de acordo com a narrativa o morro depois do Três Estados era o Morro dos Ivos, e o cara ainda falava que depois do cume tínhamos que pegar uma trilha a direita. “Porra Pablo”, falei, “é a trilha que estávamos descendo e que você quis voltar”. Ânimos tranquilizados subimos novamente e pegamos a trilha. Neste momento já ventava muito e a sensação térmica beirava os 0°C.

Acima das nuvens.
A trilha levava por uma curta aresta que dava num pequeno platô, em seguida ela acabava. Continuamos descendo pela encosta com uma escarpa gigantesca ao nosso lado intimidando qualquer mudança de rota. Segundo o relato, abaixo encontraríamos uma mata e a trilha ia por dentro dela. Nada de mata, apenas muito capim elefante e pouco progresso na distância percorrida. Aquela situação estava começando a ficar ruim.

 Depois de muito tentar encontrar a suposta trilha, bem esgotado, sugeri ao Pablo que parecemos e dormíssemos e pela manhã, com claridade, tentaríamos encontrar o caminho. O Pablo acatou a sugestão, e num pequeno colo da montanha tentamos descansar. Como pretendíamos fazer a travessia numa única investida fizemos a opção de ir ao estilo minimalista, ou seja, uma mochila de ataque com o mínimo de peso possível. Não tínhamos saco de dormir nem nada que pudéssemos nos abrigar. As rajadas de vento estavam castigando, embrenhávamos no capim para tentar nos esconder, em vão.

Virava de um lado me acomodava e conseguia relaxar, quando começava a cochilar era tomado por um frio que me fazia retomar o ritual: vira de lado, coloca as mãos entre as pernas para esquentar e procura um abrigo no capim para o pé. Este mesmo ritual se repetiu até as 3 manhã, que como um pesadelo algumas gotas bateram no capús do meu casaco. Não podia acreditar, estava chovendo, nãooo!!!! “Sentiu os pingos?” perguntei a Pablo, “Sim”, ele respondeu. Nenhuma palavra foi trocada mais, qualquer comentário poderia tirar a pouca força psicológica que ainda nos sustentava, sabíamos sem querer.

Três intermináveis horas nos castigaram até que a claridade irrompeu e permitiu a tentativa de alguns movimentos. Tremendo e com muito frio colocamos o tênis em baixo da chuva e começamos a odisseia de subir, mais uma vez, aquele pico. Impressionante, quando descemos não demos conta do tanto que estávamos expostos. Uma vez no cume, outra vez (o leitor já deve estar cansado deste cume, imagina nós lá!), descemos de novo para tentar encontrar a trilha mais abaixo. 

Nada de trilha e sobe para o cume outra vez. O frio começou a ficar insuportável e estávamos desesperados já, naquele estado que o raciocínio não está trabalhando no seu modo pleno. Liguei para a Bruna, uma amiga (e anja) minha, para ela tentar encontrar alguma referência. Passado alguns minutos ela retorna e tinha conseguido contatar o Marcos (desconhecido, gente boa que tentou nos ajudar de todo jeito. Inclusive ligou para Globo...). O Marcos me ligou e informou que tinha ligado para os bombeiros e que era para eu ligar e passar as referências.

Liguei e falei com um cabo (que não recordo o nome, mas que sou extremamente grato pela sua ajuda), como de praxe ele perguntou se estávamos com algum guia, se tínhamos GPS, se estávamos machucado, se tínhamos comida e se sabíamos voltar. As três primeiras respostas foram negativas e as duas últimas positivas. Bom, ele disse que se fosse nos resgatar demoraria 8 horas. Então era mais fácil voltarmos para trás, pois não estávamos nos Três Estados, mas na Pedra da Mina, onde tem um avião caído!

Neste instante que percebemos nosso erro e vimos o quanto fomos infantis de tentar fazer uma travessia desse porte sem cumprir o primeiro dos requisitos, o Mapa! De certa forma, era um pouco isso que queríamos fazer, encontrar o caminho no tato. Somos corredores de aventura e este tipo de desafio nos inspira, mas na Serra Fina a montanha mostrou quem manda e que erros podem ser fatais. Pensa bem, se alguém machucasse? Se fossemos picado por cobra? Qualquer outra eventualidade? O bombeiro está a 8 horas! Ali, é um dos lugares em que natureza manda com todo vigor sobre nossa pequenez humana.
Livro de cume no alto da Pedra da Mina.

Tem horas que o mais sábio é entender estes avisos, agradecer por estar tudo bem, agradecer por estar ali e voltar para traz. A sensação era de missão cumprida, pois tínhamos feito cume na Pedra Mina, exploramos bem um lado da serra e sabíamos o caminho certo agora. À volta foram longas 8 horas de caminhada, bem fadigados e comendo apenas barrinhas de cereais, não tínhamos mais nada.

As 18:30 chegamos na entrada da trilha onde o Miltão tinha nos deixado. Perto tem uma pousada bonita, nova, Pousada Serra Fina. Vínhamos à volta inteira sonhando em chegar lá para poder comprar um prato de comida quente. Batemos na porta e fomos atendidos friamente por uma funcionária. Explicamos nosso caso e perguntamos se não podia vender uma sopa para nós ou qualquer coisa quente para comer enquanto esperávamos nosso amigo. Ela entrou e foi consultar sua superior, passado alguns minutos voltou dizendo que só poderia nos servir alguma comida se nos hospedássemos lá, caso contrário não.

Tudo bem pode ser uma política da pousada não vender comida para não se transformar num restaurante. Mas nosso caso era daqueles em que as relações humanas que estão envolvidas, especialmente um sentimento que chamamos solidariedade. Sentimento este que é irradiado quando estamos em ambientes hostis. Estranho alguém que pretende ter como clientes sujeitos que querem estar perto da natureza, que querem, justamente, romper a frieza das relações distantes da cidade grande ter uma postura como essa. É um típico caso, aquele que vemos de monte na metrópole, onde as instituições se sobrepõem as relações humanas, onde em nome de uma empresa e de suas normas rompe este laço profundo da solidariedade. Uma pena!

Assinando o livro de cume.
Como um milagre, 5 minutos depois, o Miltão chegou. Fomos até a cidade de Piquete, tomamos um banho, comemos uma pizza e tomei com o Miltão um par de cervejas. Pablo me deixou no Graal novamente e peguei o ônibus para o Rio. No outro dia (30 de abril) eu tinha que qualificar meu projeto de mestrado... É assim mesmo, da montanha para vida acadêmica, do coração da natureza para o centro da cultura.

A despeito desse episódio da pousada, é muito feliz ver o estado da trilha e como está preservado o local. Não encontramos nenhum lixo, a não ser aqueles que são evidentemente não propositais. Pode ser que pela dificuldade dela não seja frequentada por entusiastas e fanfarrões, mas por aqueles que realmente amam as montanhas. Quem ama cuida! Em breve voltaremos para lá e completaremos este desafio de fazer esta travessia num único dia, aguardem.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Brou Aventuras Serra do Cipó: Canyon gringo?! Tem isso sim!




Quanto mais improvável a situação e maior o esforço exigido, tanto mais doce é o sangue que nos flui depois, liberando toda tensão. A perspectiva do perigo serve apenas para aguçar o controle e a atenção. E talvez seja esse o motivo racional de todos os esportes de risco: você eleva, deliberadamente, o grau de esforço e concentração, com o objetivo, digamos assim, de limpar a mente das trivialidades" (A. Alvarez, The savage god: a study of suicide). 


Largada.
         O Brasil tem um potencial impar em belezas naturais, fato indiscutível. Mas às vezes elas ficam ocultas em paraísos distantes dos centos urbanos e que somente aventureiros experientes e dispostos conseguem ter acesso. A Serra do Cipó não é este caso! Apenas 100 km da capital mineira lá é um recanto de belezas naturais, serras cortadas por rios e desafios radicais. A Brou Aventuras caprichou na escolha da sua primeira etapa.

         Estava no meio de um trekking mais duro e bonito que fiz na minha vida. Uma travessia de um canyon digno de cenas do Eco Challange, que tanto me inspiraram para começar a fazer corrida de aventura. Uma serra de pedra a 1250 m acima do nível do mar, cortado no meio por um rio. O ritmo estava alucinante, já tinha feito o primeiro de trecho de mountain bike junto com a equipe Quasar Lontra e vinha no primeiro pelotão. O ritmo da Quasar era muito forte pra mim e perdi contato logo no inicio do trekking. Não dava para forçar demais, ainda tinha muita prova pela frente.

Canyon Gringo.
       Não tardou e encostou a dupla Advogados Aventureiros e o quarteto BMS, só monstros. Não acreditava que estava andando ao lado de feras que ganharam o Ecomotion, é apenas meu terceiro ano de corrida de aventura e o segundo disputando na Solo, ou seja, Junior ainda! A travessia do canyon foi animal terminando no alto da montanha. Tínhamos que descer junto a um rio, o crux da prova segundo a organização, e era mesmo. Eu a dupla Advogados Aventureiros estávamos juntos, um vacilo de não conferir o azimute nos jogou numa verdadeira roubada. Descemos uma escarpa da montanha que qualquer vacilo do pé podia nos jogar em uma queda livre de 30m. Não dava para pensar muito, minutos são preciosos quando você está liderando sua categoria. Porém, corrida de aventura, a despeito do físico, é a arte da navegação e pecamos nela.

         Caímos na estrada que tínhamos passado na ída e uns 8 km do PC 4 que buscávamos. Não dava para desanimar naquele momento. Veio um nó estômago de saber que liderança tinha sido perdida por um erro. Faz parte. Bati o PC 4 em quarto na categoria, mas o terceiro estava apenas 8 min, porém era nada mais nada menos que Ezio da Trotamundo um mito das corridas de aventura (que tinha quebrado a gancheira de sua bike, trocado e voltado para prova...). Nossa, pensei comigo, vou ter que fazer muita força hoje! Peguei a bike e soquei a bota sem dó, além de ter que buscar os adversários tinha um corte bem apertado no PC 8. No PC6 encostei no Ezio e segui fazendo minha prova. Na área de transição, no centro da cidade, já estava em terceiro, quando vou assinar a planilha sou informado pela organização que o segundo lugar desistiu da prova. O que leva alguém que está em segundo desistir? Ainda mais que é o experiente Thiago Mol. Só podia ser roubada o que teria pela frente!!!

Transição rápida.
        Saí para o trekking com a dupla Tendência Outdoor (Freddy e André). Um trekking plano e tranquilo. Encostamos no quarteto Papaventuras (Valmir, Rose, Pedro Pinheiro e Bicudão) e seguimos juntos. Terminamos o trekking e tínhamos uma bike curta até o remo. O remo era por um rio tortuoso, com algumas corredeiras leves e cheio de galhos. A descida estava tranquila até que começo a escutar gritos de “Socorro”, fiquei assustado e meio sem reação. A galera da Papaventura já tinha parado e estava ajudando a tirar o Freddy, que estava preso com o caiaque entre os galhos. Meio desesperado não consegui parar nem desviar e entrei batendo neles todos e socando nos galhos por dentro do rio. Meu caiaque também ficou preso, mas consegui sair meio sem força e assustado. O Valmir, se mostrando um resgatista de primeira, conseguiu tirar o Freddy e seu caiaque e remo.

          Bom, essa cena se repetiu pelo menos mais umas quatro vezes comigo e se não estivesse com o Papaventuras e a Tendência Outdoor tinha passado por maus bocados naquele rio. Como disse Rose, “Pedro você conheceu o rio por baixo”! Um pouco mais a frente cruzamos com um caiaque e tinha dois em cima remando e dois dentro rio sendo puxados. Perguntei o que tinha ocorrido e falaram que tinham “naufragado” seu caiaque. Fiquei bem preocupado, pois era de noite estava frio. Ficar dentro daquele rio gelado poderia ser um risco hipotermia. Quando entregamos o remo já estavam providenciando o resgate deles.
Pedal noturno.

             Chegamos num trecho que teríamos que cruzar o rio, porém a ponte (uma pinguela) tinha apenas os quatro cabos de aço, dois em cima e dois em baixo, onde eram para estar fixadas tábuas. Todas tinham caídas com apenas uns quatro pedaços de paus distribuídos que mais lembravam uma boca banguela. A dúvida era atravessar o rio e ficar com frio por um bom trecho ou arriscar atravessar pelos cabos de aço e correr o risco de cair de uma altura de 8 metros num rio, provavelmente, raso. O Valmir nem pensou duas vezes e seguiu pelos cabos de aço, as duas mãos segurando nos de cima e os pés correndo nos de baixo. Dava agonia só de ver, mas ele passou ileso. Pensei, fudeu vou ter que ir também! Tremendo igual uma vara verde, evitando olhar para baixo e tentando respirar no mesmo compasso que meus pés corriam pelo cabo, consegui atravessar também. A adrenalina foi tanta que deu uma injetada de animo para continuar!


Pódio: 2º Pedro Alex; 1º Marcelo Santos; 3º Ezio.
            A prova já rumava para seu final. Tínhamos um trecho de Mountain Bike de 6 km. Vínhamos andando num ritmo forte, conversando, dando risada e contando histórias. Nessa hora você conhece o espírito gregário que se desenvolve entre as pessoas numa corrida de aventura. Ajuda que Valmir deu para Freddy, o acordo de cavalheiros de seguirmos juntos, as várias histórias contadas e papos sobre o sentido da vida. A natureza inspira uma certa fascinação que não vem separada do medo. O medo sempre ajuda na integração. De uma forma ou de outra, nestas situações, aprendemos a ajudar o outro e esquecer o espírito competitivo de lado, coisa rara nos esportes de alto rendimento.






           As 2 :30 da manhã terminamos a prova, com 17 horas. Descobri que quase todas as equipes tiveram problemas para encontrar o PC4, inclusive algumas muito experientes. Fiquei em segundo lugar na categoria, o Marcelo Santos (líder do ranking solo) faturou e o Ezio fechou o pódio. Apenas os três primeiros de cada categoria conseguiram fazer o circuito completo, a prova foi realmente desafiante. Nada mal para a primeira prova do ano. Bom, tenho que agradecer a organização da Brou que mais uma vez fez uma prova brutal, com navegação muito exigente e passando por cenários dignos de provas gringas. Queria agradecer ao meu treinador Carlos Eugenio pelo incentivo, a Uff esporte por ter acreditado nos meus planos e me conceder a bolsa atleta este ano, ao Maiko (Borba) que me levou na prova e ainda fez um apoio perfeito e a todos meus amigos que me apoiam. Acho que, às vezes, fazemos estas loucuras para nós mesmo e para mostrar que nesse mundo, onde todo mundo faz tudo igual, podemos fazer diferente. Corrida de aventura é um desses esportes em que possível trabalharmos, além das qualidades atléticas, as do nosso espírito! 




















 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Brou Aventuras Santo Antonio do Itambé

Largada
Santo Antonio do Itambé foi o local escolhido pela galera da Brou aventuras para a última etapa do seu circuito. Um lugar maravilhoso, perto de Diamantina e no coração na Serra Espinhaço rodeado por belas montanhas, o lugar ideal para uma corrida de aventura. Cabe um parênteses (como faço mestrado este ano foi bem difícil de conseguir conciliar os treinos com o mestrado, uma pós e as diversas atividades. Ainda bem que com um pouco de saúde e força de vontade consegui encaixar os três durante o ano, mas sabia que depois desta prova teria que dar uma reduzida e voltar a vida de leitura e dedicação total aos estudos). Cheguei bem treinado e cheio de gás, apesar da corrida ter começado na viagem... Togume, Chuchu, Bicudo e uma galera sabe disto....
Larguei bem e estava na ponteira da prova o tempo todo junto com Pablo e a Dupla Caliandra de Goiás. Estávamos num ritmo forte quando comecei a passar mal na subida derradeira da prova. Diminui o ritmo e o Daniel (Romero) me deu um remédio que foi providencial. Consegui seguir na prova, fiz um trekking forte, com direito a um rappel numa cachoeira maravilhosa. Tirei um pouco da vantagem do Pablo e saímos para uma último pedal juntos. Um vacilo bobo e nos perdemos no meio de uma serra de noite, nos custou cerca de  3 horas.
Conseguimos voltar para prova, tentei disputar com o Pablo, mas sua força e sua experiência sobressaiu sob minha juventude no esporte. Enquanto estávamos perdidos Pedro Pinheiro conseguiu assumir a primeira posição, deixando o Pablo em segundo e eu em terceiro.


Prova maravilhosa da Brou, mais uma vez (e não me canso de falar) vocês estão de parabéns. Se preocupam em facilitar a logística para todos os atletas de fora, preparam uma prova maravilhosa e fizeram um circuito magnifico durante o ano. Não é atoa que é o circuito que mais cresce no Brasil.
Bom, resta falar que o objetivo foi alcançado. Fazendo amigos, competindo, evoluindo e se aventurando. Queria agradecer ao Alexandre Bicudo pelo transporte e a pessoa que você é, foi muito bom escutar suas histórias e  compartilhar da sua alegria durante a viagem (Nú Pelo) e a Chuchu pela torcida e conversa. Também queria agradecer ao Pablo, pela disputa que travamos durante a prova, pelos toques no esporte e pela lição de vida, um dia eu aprendo o que é corrida de Aventura!!!

Expedição Estrada Real - Conselheiro Lafaiete


Desta vez o cenário foi Conselheiro Lafaite, a maior prova do ano (150 km) com o maior numero de top 10 do ranking brasileiro. Larguei bem, mais a falta de experiência fez escolher um caminho errado desde do começo da prova.

Fiquei bem para traz, cerca de uma hora por causa da escolha, mais não desisti e segui fazendo minha prova. A prova seguiu dura e realmente não era meu dia, perdi mais tempo tentando encontrar o pc que era sem trilha. Segui na prova e acabei me juntando com a dupla Advogados Aventureiros Minas (Marco Tulio e Gabriel), parceria perfeita. Batemos cabeça uma parte da prova, mas conseguimos terminar juntos. Eu acabei ficando em 6 lugar na categoria solo e os Advogados em 3 lugar. Valeu demais pela prova Marco Tulio e Gabriel, a companhia de vocês foi realmente muito boa e me fez repensar muitas coisas sobre o que é fazer corrida de aventura! E parabéns ao Juninho, a Marizinha e os Brous que levaram a prova na geral, andaram muito!!!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

2° etapa da Brou Aventuras / Aranha: Por que faço corrida de aventura?

No último final de semana rumei para Aranha, distrito de Brumadinho próximo à cidade de Belo Horizonte, para disputar a 2°etapa da Brou Aventuras. Uma região especial, cercada por altas montanhas e uma paisagem incrível. A prova na categoria Pró era dividida em 35 km de trekking, 35 km de Mountain Bike, 19 km de remo, um rapel de 40 metros, sem contar a navegação.
A largada foi dada por volta das 9 horas da manhã na praça central de Aranha. Partimos para um sessão de Trekking de 16 km. A galera saiu num ritmo muito forte desde o começo da prova. Traçamos uma estratégia de não forçar muito no começo, pela distância que tínhamos pela frente. Fizemos este trekking no segundo pelotão, sempre revezando entre os três primeiros da prova com as duplas, Advogados Aventureiros e a ARS.
Saímos para o remo em terceiro. O rio era realmente maravilhoso, com a maioria do trecho repleto de mata ciliar e para completar, um verdadeiro empurra caiaque por um rio raso. Num desempenho fora do normal meu e do Marcos, finalizamos o remo na primeira colocação da prova nas duplas.
Fizemos a transição rápida e partimos para um trecho de mountain bike, com uma parada no meio para o rapel, realizado apenas pelo Marcos. Entregamos a bike na transição junto com as duas outras duplas.
Nesta transição, recebemos um mapa para o trecho de trekking que seguia. Peguei o mapa, conferi os Pcs e partimos em terceiro para esta sessão de trekking. Era realmente maravilhoso este trecho da prova. Tínhamos que subir para o alto de uma serra alucinante e, detalhe, sem trilha.
Nessa hora, tentei uma estratégia que no mínimo era ousada. Como o caminho mais provável subia por um trecho sem trilha, resolvi arriscar e começar a subir a serra um pouco antes do que estava previsto pelo mapa. Entramos num rasga mato danado e logo já estávamos escalando a serra. Era bem inclinado, mas usando as “canela de ema” dava para ganhar um pouco de confiança na subida. Rápido estávamos no alto da serra. Voltamos um pouco para bater o pc 10 e encontramos com o atleta solo Pablo. Ele nos avisou que o pc estava logo a frente e elogiou o ritmo que estávamos.
Bati o pc 10 e o trekking nos levava pelo cumeeira da serra. Estava um final de tarde maravilhoso, de um lado da serra eu via BR 040 e do outro, vários vilarejos no meio do mar de montanhas. Mas ventava muito forte e gelado.
Nem acreditávamos, pois quando fui assinar o pc 10 vi que estávamos em primeiro nas duplas e em terceiro na geral da prova. Foi uma injeção de ânimo que nos ajudou a dar mais energia para fazer este trekking. Com um ritmo muito forte, alcançamos a área de transição na liderança das duplas e em terceiro geral.
Chegamos empolgados pelo desempenho, com a galera elogiando nossa posição. Quando conversando com Zé Elias (organizador), percebi que tinha esquecido de bater o pc9. Foi um verdadeiro banho gelado. Pensávamos que iriamos ganhar a corrida e de repente estávamos desclassificados. Eu não acreditava que tinha cometido esse erro, ainda mais porque eu era o navegador!
Bom, tentamos nos consolar falando do nosso desempenho. Quando a galera da imprensa que estava cobrindo o evento chegou e começou a conversar me pedindo para relatar o que tinha acontecido na corrida e iria me fazer uma pergunta. Tudo bem! - respondi.
De repente, uma câmera apontada para minha cara, com uma luz improvisada para captar a imagem, e surge uma das questões mais difíceis que já me fizeram, e olha que prestei uma prova de mestrado à pouco tempo!
A pergunta era a seguinte: “por que você faz corrida de aventura?” Nossa, naquela hora que de líder fui para desclassificado, era realmente difícil de responder. Não me lembro direito, mas creio que dei uma resposta no sentido que era porque queria ter histórias para contar.... e que corrida de aventura nos ajuda a dar valor em pequenas coisas que temos na vida, como um simples prato de comida ou mesmo um cama quentinha.... Mas, esta resposta não me convenceu, principalmente depois do corpo frio em casa escrevendo esta postagem.
Lógico, que ficar em situações extremas nos ajuda a refletir sobre essas pequenas coisas, ainda mais neste mundo que vivemos hoje, onde que o luxo e os prazeres são os bens mais cobiçados. Mas, creio que quem pratica este esporte (que é no mínimo bem diferente dos outros convencionais) pode até gostar dessas coisas, mas não as têm como objetivo último de suas vidas. Senão, por que diabos estaria se enfiando no meio de um mato, cheio de carrapatos, iria passar frio no alto de uma serra, ter de ficar procurando o caminho morrendo de fome e cansaço??
Por quê? Esta é pergunta que justamente me faço agora, para tentar responder esta pergunta. Corrida de aventura me parece com o jogo da vida (se me permitem esta alegoria), em que nem sempre é o mais forte que ganha, onde temos que ter estratégia, objetivo, perseverança e se esquecer um pequeno detalhe não dá para voltar atrás e pegar novamente. O rumo é sempre pra frente. Quando erramos, na corrida de aventura (e na vida), não temos muito tempo para concertar, e se o erro for caro só nos resta uma coisa, seguirmos em frente e tentar não fazer de novo!!
Acho que é um pouco disso que acaba me motivando a fazer corrida de aventura, é um esporte que acabamos criando outro jogo da vida ali dentro. Temos de treinar várias modalidades, nos preparar para qualquer desafio, ter companheirismo, pois tirando os solos (que são amigos de todo mundo) dependemos dos outros para o nosso desempenho. Não é um pouco isso que vida nos cobra?!?!
A verdade é que apesar de não termos ganhado e nem mesmo conseguido terminar (pois, quando desistimos ainda faltava a última perna de MTB) saí completamente satisfeito. Passei por lugares maravilhosos, fiz bons amigos, me coloquei em situações que jamais pensei que estaria em minha vida. Bom, e fiquei com mais um aprendizado para as próximas provas. Em outras palavras, consegui o objetivo que proponho a fazer corrida de aventura, viver minha vida intensamente e, de preferência, no meio da natureza!
Galera da Brou, Juninho, Zé Elias e Rachel, parabéns pela prova! Vocês estão brutalizando nas suas corridas, escolhendo lugares maravilhosos para passarmos e conhecermos. Fico muito agradecido de ter começado nas provas de vocês, e de tantos perrengues passados, conseguir evoluir um pouquinho mais no esporte e na vida.
Acho que me esqueci da última coisa para descrever o porquê faço corrida de aventura (não que já esteja satisfeito com minha resposta). Tem que gostar um pouquinho de sofrer né?! Acho que Corrida de Aventura deve ser um dos poucos esportes no Brasil, que por enquanto é feito só por Amadores, ou melhor, “Ama-dores”, pois tem hora que dói, e muito!