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domingo, 13 de maio de 2012

Travessia Serra Fina: cume Pedra da Mina

         Quinta-feira dia 26 de abril, estou no facebook meia-noite conversando com Pablo (Bulcciarelli) sobre a travessia da Serra dos Orgãos que estamos programando para fazer no primeiro final de semana de junho. Papo vai papo vêm, detalhes da travessia discutidos, pergunto a Pablo como estão os preparativos já que no outro dia de manhã ele partiria para tentar fazer a travessia da Serra Fina sozinho e um único tiro (geralmente as pessoas demoram três dias!). Em 15 minutos de conversa ele consegue me convencer a ir acompanha-lo. Na sexta cedo comprei as comidas e as 16:00 já estava no ônibus que vai para Guaratinguetá, onde eu iria saltar no Graal Três Garças e Pablo estaria me esperando.
Mapa com a capacidade dos acampamentos.
A Serra Fina é uma travessia em estilo alpino (você carrega todos seus apetrechos sem contar com serviços de camping ou qualquer tipo de hospedagem) na Serra da Mantiqueira, mas precisamente entre as cidades mineiras de Passa Quatro e Itamonte. Considerada umas das travessias mais bonita e difícil da América do Sul, é uma trilha que segue pela crista da serra passando por diversos picos, incluindo o Pedra Mina (5° maior do Brasil, 2.798 m) e o Três Estados (2.665 m). No horizonte, ao sul você visualiza o Vale do Paraíba, a norte Minas Gerais suas montanhas e picos e a leste o Pico Agulhas Negras no Rio de Janeiro. Alucinante!!!

Cheguei por volta das 9 da noite no Graal TrÊs Garças, Pablo já me esperava. De lá rumamos para a Base de Marins, onde pousaríamos está noite na casa do Miltão (Milton Gouvêa). Ficou combinado com o Miltão que ele nos levaria a entrada da trilha e faria nosso resgate. Acordamos as 5 da manhã, uma neblina forte fazia gotejar pequenos pingos que me deixaram apreensivo, chuva não seria uma experiência legal acima de 2 mil metros de altitude e com vento. Tomamos o café da manhã no carro a caminho, as 7:40 da manhã começamos a trilha pela entrada da Toca do Lobo.

Eu e Pablo.
A primeira parte é uma longa e árdua subida 1000m de desnível. Estava uma neblina que impossibilitava ver o gigante que estávamos subindo, quando passamos a linha dos 2000 m acima do nível do mar ficamos a cima das nuvens, com sol e um visual incrível. Em duas horas estávamos no alto do Capim Amarelo, um dos primeiros lugares para acampar. Seguíamos com um tempo bem agradável e um sol que ajudava a secar a calça que já estava molhada pelo contato com o mato úmido. O ritmo estava ótimo e com pouca dificuldade estávamos encontrando a trilha, ora pelos totens deixados no caminho, ora pelo vão no meio do capim elefante.

A serra é realmente bem fina, tem momentos que você caminha pela crista onde largura dela não passa de 5 metros. Ao longe montanhas escarpadas se impõe fazendo um cenário sublime. No pé da subida para a Pedra da Mina começou um vento forte que nos obrigou a tirar o casaco da mochila. As 14:20 assinamos o livro de cume, a neblina baixou de novo.

É preciso fazer uma pausa e introduzir o leitor nos vários equívocos que cometemos nesta tentativa, que por pouco não resultou nestas matérias que jornal adora. Quando saímos para a travessia não levamos nenhum mapa para nos referenciar e nunca tínhamos estado lá. Estávamos nos orientando pelos picos, e quando assinamos o livro de cume da Pedra da Mina pensávamos que era o Três Estados, pois para nós era o maior pico nesta travessia. No relato a seguir que vou narrar está com os nomes de acordo de onde pensávamos que estavamos, tenha isso em mente ao ler.

Voltando. Descemos seguindo os totens de pedra, feliz tínhamos feito seis horas até os Três Estados, um tempo incrível. De acordo com nossos cálculos em duas horas estaríamos no carro, terminando a travessia. A trilha terminou num vale e tinha uns totens indicando a subida de uma costa de pedra a nossa frente. Seguimos os totens, literalmente no meio da neblina com visibilidade reduzida a meros 20 metros. Em 15 minutos fazíamos cume numa pequena montanha. Paramos e ligamos para o Miltão pedindo que fosse nos buscar, pois chegaríamos as 18:00 horas e não a meia-noite como combinado.
Pedra da Mina se impondo ao fundo.

Descemos esta montanha e nos deparamos com um vale recoberto por um grande charco cheio de capim elefante. Nem rastro de trilha e os totens tinham acabado no cume da montanha. Por duas horas ficamos tentando rasgar o capim elefante para encontrar a entrada da trilha. O Pablo desenvolveu uma verdadeira técnica de transpor o capim elefante, mergulho de peito nele! Rsrsrs. Estava dando desespero de ver aquela situação de ter que pular de peito para andar 5 metros.

Bem cansados resolvemos subir a montanha de novo e ver se não tínhamos perdido os totens mais acima. Subimos no cume e nada de totem para nenhum lado, apenas os que retornavam na trilha que tínhamos vindo. Vi uma trilha descendo a sul da montanha e desci para ver apara onde ia dar. 50 m a abaixo, bem na crista da montanha, tinha os destroços de um avião monomotor na serra. O Pablo ficou bem assustado e deu meia volta na hora. Voltamos e tentamos acessar a internet via celular para tentar encontrar alguma referencia. Estava ruim a conexão e descemos de novo para procurar trilha mais a baixo, pois o rumo da bússola indicava para lá.

Nada de trilha e a noite caiu. Pablo se recordou que no seu celular tinha um email que estava o relato de um cara que tinha feito à travessia. Abriu o email e de acordo com a narrativa o morro depois do Três Estados era o Morro dos Ivos, e o cara ainda falava que depois do cume tínhamos que pegar uma trilha a direita. “Porra Pablo”, falei, “é a trilha que estávamos descendo e que você quis voltar”. Ânimos tranquilizados subimos novamente e pegamos a trilha. Neste momento já ventava muito e a sensação térmica beirava os 0°C.

Acima das nuvens.
A trilha levava por uma curta aresta que dava num pequeno platô, em seguida ela acabava. Continuamos descendo pela encosta com uma escarpa gigantesca ao nosso lado intimidando qualquer mudança de rota. Segundo o relato, abaixo encontraríamos uma mata e a trilha ia por dentro dela. Nada de mata, apenas muito capim elefante e pouco progresso na distância percorrida. Aquela situação estava começando a ficar ruim.

 Depois de muito tentar encontrar a suposta trilha, bem esgotado, sugeri ao Pablo que parecemos e dormíssemos e pela manhã, com claridade, tentaríamos encontrar o caminho. O Pablo acatou a sugestão, e num pequeno colo da montanha tentamos descansar. Como pretendíamos fazer a travessia numa única investida fizemos a opção de ir ao estilo minimalista, ou seja, uma mochila de ataque com o mínimo de peso possível. Não tínhamos saco de dormir nem nada que pudéssemos nos abrigar. As rajadas de vento estavam castigando, embrenhávamos no capim para tentar nos esconder, em vão.

Virava de um lado me acomodava e conseguia relaxar, quando começava a cochilar era tomado por um frio que me fazia retomar o ritual: vira de lado, coloca as mãos entre as pernas para esquentar e procura um abrigo no capim para o pé. Este mesmo ritual se repetiu até as 3 manhã, que como um pesadelo algumas gotas bateram no capús do meu casaco. Não podia acreditar, estava chovendo, nãooo!!!! “Sentiu os pingos?” perguntei a Pablo, “Sim”, ele respondeu. Nenhuma palavra foi trocada mais, qualquer comentário poderia tirar a pouca força psicológica que ainda nos sustentava, sabíamos sem querer.

Três intermináveis horas nos castigaram até que a claridade irrompeu e permitiu a tentativa de alguns movimentos. Tremendo e com muito frio colocamos o tênis em baixo da chuva e começamos a odisseia de subir, mais uma vez, aquele pico. Impressionante, quando descemos não demos conta do tanto que estávamos expostos. Uma vez no cume, outra vez (o leitor já deve estar cansado deste cume, imagina nós lá!), descemos de novo para tentar encontrar a trilha mais abaixo. 

Nada de trilha e sobe para o cume outra vez. O frio começou a ficar insuportável e estávamos desesperados já, naquele estado que o raciocínio não está trabalhando no seu modo pleno. Liguei para a Bruna, uma amiga (e anja) minha, para ela tentar encontrar alguma referência. Passado alguns minutos ela retorna e tinha conseguido contatar o Marcos (desconhecido, gente boa que tentou nos ajudar de todo jeito. Inclusive ligou para Globo...). O Marcos me ligou e informou que tinha ligado para os bombeiros e que era para eu ligar e passar as referências.

Liguei e falei com um cabo (que não recordo o nome, mas que sou extremamente grato pela sua ajuda), como de praxe ele perguntou se estávamos com algum guia, se tínhamos GPS, se estávamos machucado, se tínhamos comida e se sabíamos voltar. As três primeiras respostas foram negativas e as duas últimas positivas. Bom, ele disse que se fosse nos resgatar demoraria 8 horas. Então era mais fácil voltarmos para trás, pois não estávamos nos Três Estados, mas na Pedra da Mina, onde tem um avião caído!

Neste instante que percebemos nosso erro e vimos o quanto fomos infantis de tentar fazer uma travessia desse porte sem cumprir o primeiro dos requisitos, o Mapa! De certa forma, era um pouco isso que queríamos fazer, encontrar o caminho no tato. Somos corredores de aventura e este tipo de desafio nos inspira, mas na Serra Fina a montanha mostrou quem manda e que erros podem ser fatais. Pensa bem, se alguém machucasse? Se fossemos picado por cobra? Qualquer outra eventualidade? O bombeiro está a 8 horas! Ali, é um dos lugares em que natureza manda com todo vigor sobre nossa pequenez humana.
Livro de cume no alto da Pedra da Mina.

Tem horas que o mais sábio é entender estes avisos, agradecer por estar tudo bem, agradecer por estar ali e voltar para traz. A sensação era de missão cumprida, pois tínhamos feito cume na Pedra Mina, exploramos bem um lado da serra e sabíamos o caminho certo agora. À volta foram longas 8 horas de caminhada, bem fadigados e comendo apenas barrinhas de cereais, não tínhamos mais nada.

As 18:30 chegamos na entrada da trilha onde o Miltão tinha nos deixado. Perto tem uma pousada bonita, nova, Pousada Serra Fina. Vínhamos à volta inteira sonhando em chegar lá para poder comprar um prato de comida quente. Batemos na porta e fomos atendidos friamente por uma funcionária. Explicamos nosso caso e perguntamos se não podia vender uma sopa para nós ou qualquer coisa quente para comer enquanto esperávamos nosso amigo. Ela entrou e foi consultar sua superior, passado alguns minutos voltou dizendo que só poderia nos servir alguma comida se nos hospedássemos lá, caso contrário não.

Tudo bem pode ser uma política da pousada não vender comida para não se transformar num restaurante. Mas nosso caso era daqueles em que as relações humanas que estão envolvidas, especialmente um sentimento que chamamos solidariedade. Sentimento este que é irradiado quando estamos em ambientes hostis. Estranho alguém que pretende ter como clientes sujeitos que querem estar perto da natureza, que querem, justamente, romper a frieza das relações distantes da cidade grande ter uma postura como essa. É um típico caso, aquele que vemos de monte na metrópole, onde as instituições se sobrepõem as relações humanas, onde em nome de uma empresa e de suas normas rompe este laço profundo da solidariedade. Uma pena!

Assinando o livro de cume.
Como um milagre, 5 minutos depois, o Miltão chegou. Fomos até a cidade de Piquete, tomamos um banho, comemos uma pizza e tomei com o Miltão um par de cervejas. Pablo me deixou no Graal novamente e peguei o ônibus para o Rio. No outro dia (30 de abril) eu tinha que qualificar meu projeto de mestrado... É assim mesmo, da montanha para vida acadêmica, do coração da natureza para o centro da cultura.

A despeito desse episódio da pousada, é muito feliz ver o estado da trilha e como está preservado o local. Não encontramos nenhum lixo, a não ser aqueles que são evidentemente não propositais. Pode ser que pela dificuldade dela não seja frequentada por entusiastas e fanfarrões, mas por aqueles que realmente amam as montanhas. Quem ama cuida! Em breve voltaremos para lá e completaremos este desafio de fazer esta travessia num único dia, aguardem.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Costão Itacoatiara

Vista noturna da praia de Itacoatiara.
Esta postagem é parte de uma série que pretendo fazer sobre as belezas naturais do entorno do Rio de Janeiro.


No dia 19 para 20 de março falaram que iria ter a maior lua dos últimos vinte anos. Não é todo dia que eventos como esses acontecem, e nada melhor que reunir os amigos para fazermos algo especial. O Pedro e o Felipe são dois grandes amigos meus do Rio, sempre saímos juntos pela Lapa e praticamente conheci o Rio de Janeiro e seus programas culturais por meio deles. Já fazia algum tempo que eles queriam vir em Niterói para conhecer a praia de Itacoatiara. Itacoatiara é um verdadeiro paraíso a parte em Niterói, uma praia de mar agitado, afastada do centro e rodeada por montanhas e rochedos, forma um cenário deslumbrante para os olhos viciados em concreto.

Eu eo Felipe num momento invertido.
A nossa idéia era tentar subir uma pedra que fica do seu lado esquerdo chamada Costão, que tem acesso por dentro do parque da Tiririca. É um local muito conhecido, que permite uma vista privilegiada da praia de Itacoatiara, da praia de Itaipuaçu e da lagoa de Itaipú. Bom, queríamos subir de noite para ver a Lua e tocar um violão. O Pedro pegou o carro de seu pai emprestado e veio junto com Felipe e um amigo português do Felipe chamado Hugo. Passaram em minha casa e partimos para lá. Estávamos juntando dois programas, pois eles tinham uma amiga que estava fazendo sua festa de aniversário em Itacoatiara e pretendíamos juntar todo mundo e subir o Costão.

Chegamos por volta das 10 da noite na casa da amiga do Pedro. A galera já tinha bebido a tarde toda e estava meio desanimada de subir, uns até que tentaram ir, mas começamos a caminhar, antes de chegar na subida, todo mundo voltou. Para nossa tristeza, chegamos na entrada do parque e o acesso a pedra só pode ser feito de dia. Tentamos conversar com o vigia para negociar nossa subida, nos responsabilizando por qualquer tipo de acidente, mas ele foi imparcial na decisão e vetou.
Pedro praticando Yoga.

O costão ficou como um nó entalado na garganta. Fomos até a praia, vimos a lua e decidimos voltar no outro dia para subir. Acordamos e partimos novamente para Itacoatiara. O dia não estava muito quente e tinha um pouco de nuvem no céu, não deixando que o sol tivesse 100% de exposição. Paramos o carro do lado da portaria e assinamos o livro e começamos a subida. O caminho é todo marcado por placas, mostrando que o parque da Tiririca esta investindo em um plano de manejo que inclui esportes “outdoors”, com algumas trilhas de caminhada e uma área de escalada em boulders muito conhecida pelos escaladores cariocas.

vista da praia de Itacoatira.
O Hugo não fazia esportes à muito tempo, logo no começo já começou a sentir a subida na perna. Fomos tranquilamente para esperar o Hugo e aproveitávamos as paradas para tiras fotos da paisagem e Pedro fazia alguns assanas (ele é formado em Yoga). Entramos no embalo eu e o Felipe praticamos um pouco também, o que nos rendeu belas fotos. Em pouco tempo já estávamos no topo.

Galera reunida;
da esquerda para a direita: Hugo, Felipe, Pedro e Eu
A vista lá de cima é algo surreal, nem parece que temos belezas naturais tão perto de um centro urbano como o Rio de Janeiro. Se tem uma coisa que é maravilhosa nesta cidade e no seu entorno, são as belezas naturais. Eu deixo de dica, se uma hora você estiver estressado, cansado e de saco cheio da vida, suba o Costão e fique cinco minutos em silencio, só escutando vento e o barulho do mar. Te garanto que vai ficar novo outra vez, e se quiser mais, depois da descida passa na praia da um mergulho e toma uma água de coco. Fala pra mim, tem coisa melhor na vida?





sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ilha Grande: quem disse que não temos Caribe?

Nascer do sol no Aterro do Flamengo.
No último final de semana de janeiro aproveitei para dar uma relaxa e praticar um pouco de esporte em meio a natureza. Como estou morando em Niterói, resolvi explorar as belezas naturais do estado do Rio de Janeiro e o roteiro escolhido foi Ilha Grande. É impressionante o tanto que é bonito e que a natureza esta preservada neste lugar.


Ilha Grande esta localizada no sul do estado do Rio a aproximadamente 100km da capital. É uma ilha toda recortada e cheia de belas praias, roteiro ideal para quem gosta de fazer caminhadas em meio à mata atlântica e praticar mergulho livre, com grandes possibilidades de visualizar uma fauna marinha exuberante. Para chegar a Ilha você deve sair de três municípios onde é possível fazer a travessia de barco: Angra dos Reis, Conceição de Jacareí e Mangaratiba. Lembrando que dentro da Ilha não é permitido à circulação de veículos.

Bom, como sempre gosto de um pouquinho de aventura nas minhas viagens nada melhor que dar uma incrementada neste passeio. Fui pedalando de Niterói até Mangaratiba, são aproximadamente 130km, que fiz em 5horas e meia de Mountain Bike com bagageiro, e ainda fui recompensado com belíssimo nascer do sol no aterro do flamengo. Mas estava muito calor, quando era meio dia marcava 41°, eu não resisti ao avistar uma cachoeira pequena na beira da estrada e tive que parar para dar uma refrescada.
Vista da estrada que leva a Dois Rios.

O pedal em si é tranqüilo, mas o problema é que são 50km para atravessar a cidade do Rio de Janeiro, e com muito transito. Fui seguindo a orla do Rio quando chegou na Praia do Recreio peguei a estrada que liga a Costa Verde, passei pelo bairro de Santa Cruz, lá entrei na avenida Brasil e depois segui pela Rio-Santos. Para quem for fazer este pedal eu recomendo começar do município de Itaguaí, pois a estrada dali para frente é boa e tem acostamento, evitando assim pegar este trecho urbano.

Cheguei a Mangaratiba por volta das 13 horas, sorte que saia um barco em seguida para Ilha Grande, o Saveiro Dezareé. Este Saveiro parti todos os dias as 8:30 de Ilha Grande para Mangaratiba e as 13:00 de Mangaratiba para a Ilha. É uma viagem tranqüila de uma hora e meia onde você pode avistar as praias do continente e também a Ilha ao longe com seu pico do papagaio se impondo no horizonte, marcador natural.

Praia do Caxadaço.
Ilha Grande figura na história brasileira desde os tempos da colonização, nos últimos anos era instalado lá um antigo presídio onde presos eram mandados. Em 1994 foi definitivamente fechado este presídio e hoje é um local muito explorado por veranistas que vão à procura de natureza e belas praias. O primeiro fato marcante para quem visita pela primeira vez (como eu!) é a quantidade de turistas estrangeiros, principalmente argentinos.

Como tinha programado um roteiro para os dois dias, resolvi fazer longas caminhadas para poder conhecer o máximo de lugares possíveis. No primeiro dia eu percorri um trajeto que dá por volta 22km, com as distancias calculadas de acordo com o mapa de trilha da ilha.
Mapa das trilhas de Ilha Grande.

Sai da Vila do Abraão de manhã e segui sentido Dois Rios, este trecho é uma estrada bem aberta, porém sobe muito o que possibilita um visual interessante da Ilha. Antes de chegar a Dois Rios entrei na trilha que leva a praia de Caxadaço. É uma trilha fechada, no meio da mata atlântica, nela tem alguns caminhos de pedras feitos pelos escravos, este trecho tem que tomar cuidado, pois é fácil de se perder, principalmente nesta época do ano que as enxurradas abrem caminhos pela encosta como verdadeiras trilhas.

Vista da trilha Palmas-Vila do Abraão.
Chegando a Caxadaço parei para dar uma descansada e curtir a praia, é realmente alucinante. A água é cor verde claro, parecendo uma verdadeira piscina. Com um simples óculos de natação eu mergulhava e conseguia ver muitos peixes coloridos. Lá conheci dois rapazes que estavam se aventurando pelas trilhas também, Daniel e Mancha.

Eles conheciam um caminho que saia da Praia de Caxadaço e ligava a Praia de Sto. Antonio. É uma trilha bem fechada no meio na mata, onde passa poucas pessoas, segundo Daniel que mantém esta trilha é o instituto de preservação que atua na Ilha. Foram duas horas de caminhada dura pela mata para chegar a Sto. Antonio.

Entrada da trilha do Pico do Papagaio.
Valeu a pena conhecer esta praia. Aparentemente ela não tem nada demais, já que seu trecho de areia é curto, mas quando você mergulha a história muda. Eram muitos peixes coloridos e de todos os tamanhos, a sensação era de que eu nadando dentro de um aquário. O mais engraçado é que os peixes também te observam, te mostrando que naquele ambiente o ser exótico é você. Parecia realmente que eu estava naquelas cenas dos documentários de Jacques Cousteou, que tanto eu via na minha infância.

Depois ainda passei pela praia de Lopes Mendes para conhecer, bem bonita por sinal com uma larga porção de areia e poucas pessoas. Seguimos sentido a Praia de Pouso, de lá sai uma trilha que liga a Praia de Palma, que tem outra trilha que vai para a Vila do Abraão. Resumindo, basicamente é uma longa e cansativa subida e você desce o mesmo até a vila. Assim, terminei o primeiro dia de caminhada.

Vista do cume do Pico do Papagaio.
Quando vinha no barco eu via o pico do Papagaio se impondo e marcando Ilha Grande, pensei comigo “[...] com certeza vou subir lá!!” todo mundo que perguntei informações sobre a subida me falaram que era uma árdua caminhada de umas 3 horas. A entrada da trilha já assusta, pois é bem fechada. Sai cedo, rápido já estava na entrada da trilha. Tirei umas fotos e chegou um grupo de três rapazes falando em inglês. Com meu tupiniquin inglish, eu perguntei se eles iam subir e me disseram que sim.

Comecei a trilha num ritmo forte, o caminho é uma mata atlântica maravilhosa cheia de orquídeas e bromélias e se ouve muitos pássaros. A trilha ora segue bem marcada, ora se confunde com a vegetação e as raízes das grandes árvores que estão no chão. Em alguns trechos ela esta meio suja pelas árvores caídas no caminho, devido a época de chuvas.

Com duas horas de caminhada cheguei no cume, uma pena que estava nublado e não dava para ver nada além do belo monólito. É realmente muito alto, tem uma pedra que é possível subir e com cuidado, pois um tombo é fatal. O bom é que as nuvens refrescavam e depois vários dias de calor que vinha passando, estava no final agradecendo aquele ar condicionado natural.

Uma meia hora depois que cheguei, os rapazes que tinha encontrado na entrada da trilha chegaram também. Eram dois de São Paulo que chamavam Pedro e um da Macedônia, Zoran. Batemos um papo lá por cima, tiramos algumas fotos.

E depois de uma relaxada encaramos a caminhada de volta, com direito a escutar um verdadeiro coro de macacos Bugio, e ainda avistei uma cobra jaracuçu na trilha. Fica ai um conselho para a descida, prestem atenção, pois a chuva abriu caminhos que te confunde facilmente, então você tem que olhar bem por onde segue as marcas da trilha e as árvores no caminho estão com pequenos cortes para identificar o caminho.

Monólito Pico do Papagaio.
Depois fomos dar uma relaxada na Praia Preta, bem perto da Vila do Abraão. Eles me convidaram para ir jantar no albergue deles. Uma dica muito boa, vale apena ficar em albergue lá Ilha, eles são bem limpos e bem organizados e você ainda conhece gente do mundo inteiro. Ficamos tomando uma cerveja e jogando truco até tarde. Até que um dos Pedros passou muito mal com algo que ele comeu no almoço, e tivemos que levar ele para o hospital, ele foi rapidamente atendido e tudo já estava bem!

Assim, termina mais um “adventure weekend” com direito a um eco-training-turismo por Ilha Grande. Agora espero poder voltar em breve para conhecer os outros lugares que ficaram faltando. Quem sabe eu não encare uma caminha Ilha Grande 360°, pode ser no futuro. Agora para quem não sabia, temos praias com água tão clara como o caribe, isto podem ter certeza, visitem Ilha Grande e verás!












quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Cap. 11 - Escalada Huayna Potosí 6088m

Chegamos na ultima parte da viagem, e nada melhor que reservar o melhor para o final. A muito tempo que eu tinha vontade de fazer uma escalada em alta montanha, e o Huayna Potosí se mostrava como uma excelente opção. Fechamos um pacote turístico com a mesma agência que tínhamos feito a Estrada de La Muerte, e pagamos 120 dólares por três dias. Um preço razoável já que vinha todos os equipamentos incluídos, comida, guia e um dia de curso para aprender a usar os equipamentos.


A Cordilheira Real na Bolívia é um dos melhores lugares para quem quer se inserir na escalada de alta montanha: os preços das agências de ecoturismo são acessíveis (para pessoas normais como eu!); e também por que na sua extensão tem seis picos acima de seis mil metros de altitude, sem contar com vários clássicos que estão na casa dos cinco mil metros.
O Huayna Potosí é classificada como a montanha mais fácil de ser escaladas de todas da Cordilheira Real, apesar da sua altura imponente. Isto se dá pelo fato da facilidade de acesso a o primeiro acampamento onde é possível chegar de carro a 4700m. No primeiro dia chegamos a este acampamento e realizamos um curso de como usar os equipamentos, também fizemos algumas escaladas de glaciais curtas para ganhar segurança.

No segundo dia subimos até o acampamento alto, que está situado a 5130m. O caminho foi sem grandes dificuldades, uma trilha na encosta da montanha com uma paisagem de fundo realmente surreal, e muito frio! Nesta parte do trecho comecei a sentir um pouco a altitude, me faltou o ar subindo e tive que segurar o ritmo. O Matheus que nem é atleta e tão pouco treina nenhum esporte, não sentiu absolutamente nada, seu corpo se adaptou bem a altitude já o João Paulo vinha sentindo muita dor de cabeça desde a noite anterior e subiu em um ritmo mais lento.

Chegamos no acampamento alto por volta do meio dia, estava muito frio apesar do tempo aberto. Ventava muito e a todo tempo encontrávamos grupos que tinham tentado fazer ataque no cume e tinham sucumbido pelo frio e pela altitude. Tentamos relaxar, fizemos um bom almoço – que por sinal o serviço de comida é muito bom da empresa El Solario – e descansamos pela tarde. Ficamos contemplando o pico e pensando no que nos esperava no próximo dia. A sensação era apavorante, pois éramos completamente inexperientes em alta montanha, fazia muito frio, e ainda tinha aquela adrenalina correndo.

As seis da tarde foi servida a janta e já nos retiramos para descansar, íamos tentar o ataque no cume a meia noite. Deitei-me e senti a altitude batendo forte, não conseguia dormi por nada e meu coração estava muito acelerado, o resultado foi que não consegui pregar o olho. Foram seis horas apavorantes, a sorte é que o Matheus me emprestou seu mp3 e escutei algumas musicas.

A meia noite em ponto levantamos e começamos a nos equipar e a comer o café da manhã. A noite estava linda, um céu estrelado que parecia que tinha sido montado a mão para inspirarmos a subir aquela montanha. Um a um os grupos foram saindo para tentar atacar o cume, eram pelo menos uns vinte grupos. Cada grupo vai com o seu guia na frente e de duas a quatro pessoas vão ancoradas em uma corda que esta presa no guia.

Logo que começamos a subir a montanha o crampon do João Paulo começou a se soltar, ele colocava dava dois passos e soltava. O guia conseguiu resolver o problema e partimos em ultimo. O João Paulo começou a sentir o ritmo e altitude logo que saímos, ele andava um pouco e pedia para respirar. Vendo que seria muito difícil para ele alcançar o cume resolveu desistir, pois se subíssemos mais teríamos que desistir todos, caso um não conseguisse. O guia voltou com João e eu e o Matheus ficamos esperando na montanha.

Um pouco que ficamos parados o frio já começou a pegar, os pés rapidamente davam a sensação que iam congelar. Esperamos uns vinte minutos e o guia chegou, clipamos a corda e começamos a subir. O guia saiu num ritmo muito forte, porém conseguiamos acompanhar. No primeiro ponto de parada já tínhamos alcançado quase todos os grupos, o guia passava e elogia nosso desempenho pra todo mundo.

Sempre que lia sobre alta montanha todos relatavam os problemas com a altitude e a necessidade de uma boa aclimatação. Tivemos poucos dias em lugares altos e eu não estava tão aclimatado e meu corpo se mostrou mais lento para responder a este processo. Quanto chegamos a 5500m as coisas começaram a mudar, comecei a passar muito mal, parecia que estava bêbado com uma forte vontade de vomitar.

A subida foi seguindo a lentos cinco passos por vez, parava e tinha que descansar para passar a sensação de ânsia. O guia queria que eu desistisse o tempo todo, falando que era perigoso ter problema naquela altura. O pior foi que o final da montanha era uma crista muito estreita e ventava muito. Cheguei verdadeiramente na raça, como a aquele velho brasileiro “que não desiste nunca”. Fazer cume foi como algo indescritível, era cinco e meia da manhã, o sol estava nascendo de um lado e do outro víamos a cidade de La Paz com suas luzes ainda acesas. Não dava para acreditar que tinha conseguido, foi realmente muito difícil para mim, e o Matheus não sentiu nada fez um verdadeira caminhada em alta montanha.

Só ficamos míseros 10 minutos no cume, o frio é muito forte -20°C e é perigoso congelar as extremidades. Fizemos algumas fotos e descemos, a volta foi bem cansativa mais chegamos ao acampamento e já encontramos com o João dizendo que no próximo ano queria voltar para conseguir fazer cume. Fica ai uma lição que os desafios nos deixam, às vezes é melhor voltar quando não se está confiante, pois em situações extremas só o que nos separam entre a vida e a morte á a tranqüilidade para superar os momentos difíceis.
Assim, fecho está viagem maravilhosa por estes dois países da America Latina. Provamos outras culturas, comemos comidas que não estávamos acostumados, dormimos em qualquer lugar, ficamos alguns dias sem tomar banho sem contar com tantas outras experiências bizarras e felizes. Fazendo um balanço podemos definir esta viajem: de mochilão; viaje histórica; e ecoturistica. Mas pensando com o coração, é tudo que acontece quando bons amigos se reúnem para conhecer novos lugares trazendo todas estas ânsias na bagagem.

Viajar é isto, e se colocar nestas situações, é conhecer os lugares mais bonitos nas situações mais adversas para depois voltar para casa e descobrir que nada melhor que sua cama e sua comida, mas, ao mesmo tempo, não viveria sem saber como são estes vários “Outros” que estão a nossa volta. Os viajantes são estes sujeitos que não vivem sem a experiência de conhecer o diferente, temos sede de ver novas paisagens e povos mergulhar no inusitado e voltar para contar tudo depois!







quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Curso de escala e técnicas verticais






O festival de inverno de Ouro Preto e Mariana este ano ofereceu uma oficina de Escala e Rapel. Eu já estava interessado pois precisava aprender a fazer rapel para a corrida de aventura. O curso foi divido em dois módulos um teórico e outro pratico.
O primeiro dia foi bem legal aprendemos a parte teórica dos procedimentos das técnicas verticais e da escalada. Veio um escalador bom, o Gustavo e tava mais galera de Ouro Preto que faz escalada, Bruno, Rafael, Diogo e Gabriel, mais uma escaladora carioca a Naná. No primeiro dia já rolou uma técnica vertical e fizemos uma ascensão numa árvore.
O segundo dia que foi o melhor que fomos uma pratica no pico da Cartuxa de Mariana. O lugar é muito bonito, eu já tinha ido lá algumas vezes subindo de bike, mais as pedras eu não conhecia. Fizemos uma via fácil no começo e consegui subir sem grandes dificuldades a via aprendiz de feiticeiro. Na parte da tarde eu entrei na via fábrica de purpurina, uma via bem mais difícil que primeira, sofri para conseguir terminar ela, mais valeu.
Gostei muito de escalada é um esporte que pretendo continuar participando, sem contar que é um exercício muito bom para o corpo todo e para a mente também pois você trabalha o psicológico o tempo todo por causa da altura.

Trekking Radical











Já fazia tempo que minha namorada estava brava comigo que eu não fazia nenhum programa com ela de esporte. Fuçando na internet descobri que tinha uma competição chamada Trekking Radical, uma prova que você vai caminhando ou correndo por trilhas se guiando com um mapa e uma bússola. Eu já estava querendo fazer uma corrida de aventura e achei legal fazer esta prova para treinar navegação.
Convidei minha namorada e ela topou fazer o Trekking, fizemos as inscrições e fomos para competição. A largada foi no condomínio Morro do Chapéu no, de Nova Lima. Muito bem escolhido o local da prova, eles te davam um mapa com 13 pcs, e você tinha que escolher por dez e fazer o seu caminho.
Como navegador não me sai tão bem na minha primeira prova. Errei o caminho duas vezes, e optei por um caminho que não era tão bom, pois dificultava muito a navegação no final. Mais foi muito bom como aprendizado para navegação, e fazer uma atividade com minha namorada foi bem legal, ela também gostou bastante. Na próxima etapa com certeza vamos estar.