domingo, 13 de maio de 2012

Travessia Serra Fina: cume Pedra da Mina

         Quinta-feira dia 26 de abril, estou no facebook meia-noite conversando com Pablo (Bulcciarelli) sobre a travessia da Serra dos Orgãos que estamos programando para fazer no primeiro final de semana de junho. Papo vai papo vêm, detalhes da travessia discutidos, pergunto a Pablo como estão os preparativos já que no outro dia de manhã ele partiria para tentar fazer a travessia da Serra Fina sozinho e um único tiro (geralmente as pessoas demoram três dias!). Em 15 minutos de conversa ele consegue me convencer a ir acompanha-lo. Na sexta cedo comprei as comidas e as 16:00 já estava no ônibus que vai para Guaratinguetá, onde eu iria saltar no Graal Três Garças e Pablo estaria me esperando.
Mapa com a capacidade dos acampamentos.
A Serra Fina é uma travessia em estilo alpino (você carrega todos seus apetrechos sem contar com serviços de camping ou qualquer tipo de hospedagem) na Serra da Mantiqueira, mas precisamente entre as cidades mineiras de Passa Quatro e Itamonte. Considerada umas das travessias mais bonita e difícil da América do Sul, é uma trilha que segue pela crista da serra passando por diversos picos, incluindo o Pedra Mina (5° maior do Brasil, 2.798 m) e o Três Estados (2.665 m). No horizonte, ao sul você visualiza o Vale do Paraíba, a norte Minas Gerais suas montanhas e picos e a leste o Pico Agulhas Negras no Rio de Janeiro. Alucinante!!!

Cheguei por volta das 9 da noite no Graal TrÊs Garças, Pablo já me esperava. De lá rumamos para a Base de Marins, onde pousaríamos está noite na casa do Miltão (Milton Gouvêa). Ficou combinado com o Miltão que ele nos levaria a entrada da trilha e faria nosso resgate. Acordamos as 5 da manhã, uma neblina forte fazia gotejar pequenos pingos que me deixaram apreensivo, chuva não seria uma experiência legal acima de 2 mil metros de altitude e com vento. Tomamos o café da manhã no carro a caminho, as 7:40 da manhã começamos a trilha pela entrada da Toca do Lobo.

Eu e Pablo.
A primeira parte é uma longa e árdua subida 1000m de desnível. Estava uma neblina que impossibilitava ver o gigante que estávamos subindo, quando passamos a linha dos 2000 m acima do nível do mar ficamos a cima das nuvens, com sol e um visual incrível. Em duas horas estávamos no alto do Capim Amarelo, um dos primeiros lugares para acampar. Seguíamos com um tempo bem agradável e um sol que ajudava a secar a calça que já estava molhada pelo contato com o mato úmido. O ritmo estava ótimo e com pouca dificuldade estávamos encontrando a trilha, ora pelos totens deixados no caminho, ora pelo vão no meio do capim elefante.

A serra é realmente bem fina, tem momentos que você caminha pela crista onde largura dela não passa de 5 metros. Ao longe montanhas escarpadas se impõe fazendo um cenário sublime. No pé da subida para a Pedra da Mina começou um vento forte que nos obrigou a tirar o casaco da mochila. As 14:20 assinamos o livro de cume, a neblina baixou de novo.

É preciso fazer uma pausa e introduzir o leitor nos vários equívocos que cometemos nesta tentativa, que por pouco não resultou nestas matérias que jornal adora. Quando saímos para a travessia não levamos nenhum mapa para nos referenciar e nunca tínhamos estado lá. Estávamos nos orientando pelos picos, e quando assinamos o livro de cume da Pedra da Mina pensávamos que era o Três Estados, pois para nós era o maior pico nesta travessia. No relato a seguir que vou narrar está com os nomes de acordo de onde pensávamos que estavamos, tenha isso em mente ao ler.

Voltando. Descemos seguindo os totens de pedra, feliz tínhamos feito seis horas até os Três Estados, um tempo incrível. De acordo com nossos cálculos em duas horas estaríamos no carro, terminando a travessia. A trilha terminou num vale e tinha uns totens indicando a subida de uma costa de pedra a nossa frente. Seguimos os totens, literalmente no meio da neblina com visibilidade reduzida a meros 20 metros. Em 15 minutos fazíamos cume numa pequena montanha. Paramos e ligamos para o Miltão pedindo que fosse nos buscar, pois chegaríamos as 18:00 horas e não a meia-noite como combinado.
Pedra da Mina se impondo ao fundo.

Descemos esta montanha e nos deparamos com um vale recoberto por um grande charco cheio de capim elefante. Nem rastro de trilha e os totens tinham acabado no cume da montanha. Por duas horas ficamos tentando rasgar o capim elefante para encontrar a entrada da trilha. O Pablo desenvolveu uma verdadeira técnica de transpor o capim elefante, mergulho de peito nele! Rsrsrs. Estava dando desespero de ver aquela situação de ter que pular de peito para andar 5 metros.

Bem cansados resolvemos subir a montanha de novo e ver se não tínhamos perdido os totens mais acima. Subimos no cume e nada de totem para nenhum lado, apenas os que retornavam na trilha que tínhamos vindo. Vi uma trilha descendo a sul da montanha e desci para ver apara onde ia dar. 50 m a abaixo, bem na crista da montanha, tinha os destroços de um avião monomotor na serra. O Pablo ficou bem assustado e deu meia volta na hora. Voltamos e tentamos acessar a internet via celular para tentar encontrar alguma referencia. Estava ruim a conexão e descemos de novo para procurar trilha mais a baixo, pois o rumo da bússola indicava para lá.

Nada de trilha e a noite caiu. Pablo se recordou que no seu celular tinha um email que estava o relato de um cara que tinha feito à travessia. Abriu o email e de acordo com a narrativa o morro depois do Três Estados era o Morro dos Ivos, e o cara ainda falava que depois do cume tínhamos que pegar uma trilha a direita. “Porra Pablo”, falei, “é a trilha que estávamos descendo e que você quis voltar”. Ânimos tranquilizados subimos novamente e pegamos a trilha. Neste momento já ventava muito e a sensação térmica beirava os 0°C.

Acima das nuvens.
A trilha levava por uma curta aresta que dava num pequeno platô, em seguida ela acabava. Continuamos descendo pela encosta com uma escarpa gigantesca ao nosso lado intimidando qualquer mudança de rota. Segundo o relato, abaixo encontraríamos uma mata e a trilha ia por dentro dela. Nada de mata, apenas muito capim elefante e pouco progresso na distância percorrida. Aquela situação estava começando a ficar ruim.

 Depois de muito tentar encontrar a suposta trilha, bem esgotado, sugeri ao Pablo que parecemos e dormíssemos e pela manhã, com claridade, tentaríamos encontrar o caminho. O Pablo acatou a sugestão, e num pequeno colo da montanha tentamos descansar. Como pretendíamos fazer a travessia numa única investida fizemos a opção de ir ao estilo minimalista, ou seja, uma mochila de ataque com o mínimo de peso possível. Não tínhamos saco de dormir nem nada que pudéssemos nos abrigar. As rajadas de vento estavam castigando, embrenhávamos no capim para tentar nos esconder, em vão.

Virava de um lado me acomodava e conseguia relaxar, quando começava a cochilar era tomado por um frio que me fazia retomar o ritual: vira de lado, coloca as mãos entre as pernas para esquentar e procura um abrigo no capim para o pé. Este mesmo ritual se repetiu até as 3 manhã, que como um pesadelo algumas gotas bateram no capús do meu casaco. Não podia acreditar, estava chovendo, nãooo!!!! “Sentiu os pingos?” perguntei a Pablo, “Sim”, ele respondeu. Nenhuma palavra foi trocada mais, qualquer comentário poderia tirar a pouca força psicológica que ainda nos sustentava, sabíamos sem querer.

Três intermináveis horas nos castigaram até que a claridade irrompeu e permitiu a tentativa de alguns movimentos. Tremendo e com muito frio colocamos o tênis em baixo da chuva e começamos a odisseia de subir, mais uma vez, aquele pico. Impressionante, quando descemos não demos conta do tanto que estávamos expostos. Uma vez no cume, outra vez (o leitor já deve estar cansado deste cume, imagina nós lá!), descemos de novo para tentar encontrar a trilha mais abaixo. 

Nada de trilha e sobe para o cume outra vez. O frio começou a ficar insuportável e estávamos desesperados já, naquele estado que o raciocínio não está trabalhando no seu modo pleno. Liguei para a Bruna, uma amiga (e anja) minha, para ela tentar encontrar alguma referência. Passado alguns minutos ela retorna e tinha conseguido contatar o Marcos (desconhecido, gente boa que tentou nos ajudar de todo jeito. Inclusive ligou para Globo...). O Marcos me ligou e informou que tinha ligado para os bombeiros e que era para eu ligar e passar as referências.

Liguei e falei com um cabo (que não recordo o nome, mas que sou extremamente grato pela sua ajuda), como de praxe ele perguntou se estávamos com algum guia, se tínhamos GPS, se estávamos machucado, se tínhamos comida e se sabíamos voltar. As três primeiras respostas foram negativas e as duas últimas positivas. Bom, ele disse que se fosse nos resgatar demoraria 8 horas. Então era mais fácil voltarmos para trás, pois não estávamos nos Três Estados, mas na Pedra da Mina, onde tem um avião caído!

Neste instante que percebemos nosso erro e vimos o quanto fomos infantis de tentar fazer uma travessia desse porte sem cumprir o primeiro dos requisitos, o Mapa! De certa forma, era um pouco isso que queríamos fazer, encontrar o caminho no tato. Somos corredores de aventura e este tipo de desafio nos inspira, mas na Serra Fina a montanha mostrou quem manda e que erros podem ser fatais. Pensa bem, se alguém machucasse? Se fossemos picado por cobra? Qualquer outra eventualidade? O bombeiro está a 8 horas! Ali, é um dos lugares em que natureza manda com todo vigor sobre nossa pequenez humana.
Livro de cume no alto da Pedra da Mina.

Tem horas que o mais sábio é entender estes avisos, agradecer por estar tudo bem, agradecer por estar ali e voltar para traz. A sensação era de missão cumprida, pois tínhamos feito cume na Pedra Mina, exploramos bem um lado da serra e sabíamos o caminho certo agora. À volta foram longas 8 horas de caminhada, bem fadigados e comendo apenas barrinhas de cereais, não tínhamos mais nada.

As 18:30 chegamos na entrada da trilha onde o Miltão tinha nos deixado. Perto tem uma pousada bonita, nova, Pousada Serra Fina. Vínhamos à volta inteira sonhando em chegar lá para poder comprar um prato de comida quente. Batemos na porta e fomos atendidos friamente por uma funcionária. Explicamos nosso caso e perguntamos se não podia vender uma sopa para nós ou qualquer coisa quente para comer enquanto esperávamos nosso amigo. Ela entrou e foi consultar sua superior, passado alguns minutos voltou dizendo que só poderia nos servir alguma comida se nos hospedássemos lá, caso contrário não.

Tudo bem pode ser uma política da pousada não vender comida para não se transformar num restaurante. Mas nosso caso era daqueles em que as relações humanas que estão envolvidas, especialmente um sentimento que chamamos solidariedade. Sentimento este que é irradiado quando estamos em ambientes hostis. Estranho alguém que pretende ter como clientes sujeitos que querem estar perto da natureza, que querem, justamente, romper a frieza das relações distantes da cidade grande ter uma postura como essa. É um típico caso, aquele que vemos de monte na metrópole, onde as instituições se sobrepõem as relações humanas, onde em nome de uma empresa e de suas normas rompe este laço profundo da solidariedade. Uma pena!

Assinando o livro de cume.
Como um milagre, 5 minutos depois, o Miltão chegou. Fomos até a cidade de Piquete, tomamos um banho, comemos uma pizza e tomei com o Miltão um par de cervejas. Pablo me deixou no Graal novamente e peguei o ônibus para o Rio. No outro dia (30 de abril) eu tinha que qualificar meu projeto de mestrado... É assim mesmo, da montanha para vida acadêmica, do coração da natureza para o centro da cultura.

A despeito desse episódio da pousada, é muito feliz ver o estado da trilha e como está preservado o local. Não encontramos nenhum lixo, a não ser aqueles que são evidentemente não propositais. Pode ser que pela dificuldade dela não seja frequentada por entusiastas e fanfarrões, mas por aqueles que realmente amam as montanhas. Quem ama cuida! Em breve voltaremos para lá e completaremos este desafio de fazer esta travessia num único dia, aguardem.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Brou Aventuras Serra do Cipó: Canyon gringo?! Tem isso sim!




Quanto mais improvável a situação e maior o esforço exigido, tanto mais doce é o sangue que nos flui depois, liberando toda tensão. A perspectiva do perigo serve apenas para aguçar o controle e a atenção. E talvez seja esse o motivo racional de todos os esportes de risco: você eleva, deliberadamente, o grau de esforço e concentração, com o objetivo, digamos assim, de limpar a mente das trivialidades" (A. Alvarez, The savage god: a study of suicide). 


Largada.
         O Brasil tem um potencial impar em belezas naturais, fato indiscutível. Mas às vezes elas ficam ocultas em paraísos distantes dos centos urbanos e que somente aventureiros experientes e dispostos conseguem ter acesso. A Serra do Cipó não é este caso! Apenas 100 km da capital mineira lá é um recanto de belezas naturais, serras cortadas por rios e desafios radicais. A Brou Aventuras caprichou na escolha da sua primeira etapa.

         Estava no meio de um trekking mais duro e bonito que fiz na minha vida. Uma travessia de um canyon digno de cenas do Eco Challange, que tanto me inspiraram para começar a fazer corrida de aventura. Uma serra de pedra a 1250 m acima do nível do mar, cortado no meio por um rio. O ritmo estava alucinante, já tinha feito o primeiro de trecho de mountain bike junto com a equipe Quasar Lontra e vinha no primeiro pelotão. O ritmo da Quasar era muito forte pra mim e perdi contato logo no inicio do trekking. Não dava para forçar demais, ainda tinha muita prova pela frente.

Canyon Gringo.
       Não tardou e encostou a dupla Advogados Aventureiros e o quarteto BMS, só monstros. Não acreditava que estava andando ao lado de feras que ganharam o Ecomotion, é apenas meu terceiro ano de corrida de aventura e o segundo disputando na Solo, ou seja, Junior ainda! A travessia do canyon foi animal terminando no alto da montanha. Tínhamos que descer junto a um rio, o crux da prova segundo a organização, e era mesmo. Eu a dupla Advogados Aventureiros estávamos juntos, um vacilo de não conferir o azimute nos jogou numa verdadeira roubada. Descemos uma escarpa da montanha que qualquer vacilo do pé podia nos jogar em uma queda livre de 30m. Não dava para pensar muito, minutos são preciosos quando você está liderando sua categoria. Porém, corrida de aventura, a despeito do físico, é a arte da navegação e pecamos nela.

         Caímos na estrada que tínhamos passado na ída e uns 8 km do PC 4 que buscávamos. Não dava para desanimar naquele momento. Veio um nó estômago de saber que liderança tinha sido perdida por um erro. Faz parte. Bati o PC 4 em quarto na categoria, mas o terceiro estava apenas 8 min, porém era nada mais nada menos que Ezio da Trotamundo um mito das corridas de aventura (que tinha quebrado a gancheira de sua bike, trocado e voltado para prova...). Nossa, pensei comigo, vou ter que fazer muita força hoje! Peguei a bike e soquei a bota sem dó, além de ter que buscar os adversários tinha um corte bem apertado no PC 8. No PC6 encostei no Ezio e segui fazendo minha prova. Na área de transição, no centro da cidade, já estava em terceiro, quando vou assinar a planilha sou informado pela organização que o segundo lugar desistiu da prova. O que leva alguém que está em segundo desistir? Ainda mais que é o experiente Thiago Mol. Só podia ser roubada o que teria pela frente!!!

Transição rápida.
        Saí para o trekking com a dupla Tendência Outdoor (Freddy e André). Um trekking plano e tranquilo. Encostamos no quarteto Papaventuras (Valmir, Rose, Pedro Pinheiro e Bicudão) e seguimos juntos. Terminamos o trekking e tínhamos uma bike curta até o remo. O remo era por um rio tortuoso, com algumas corredeiras leves e cheio de galhos. A descida estava tranquila até que começo a escutar gritos de “Socorro”, fiquei assustado e meio sem reação. A galera da Papaventura já tinha parado e estava ajudando a tirar o Freddy, que estava preso com o caiaque entre os galhos. Meio desesperado não consegui parar nem desviar e entrei batendo neles todos e socando nos galhos por dentro do rio. Meu caiaque também ficou preso, mas consegui sair meio sem força e assustado. O Valmir, se mostrando um resgatista de primeira, conseguiu tirar o Freddy e seu caiaque e remo.

          Bom, essa cena se repetiu pelo menos mais umas quatro vezes comigo e se não estivesse com o Papaventuras e a Tendência Outdoor tinha passado por maus bocados naquele rio. Como disse Rose, “Pedro você conheceu o rio por baixo”! Um pouco mais a frente cruzamos com um caiaque e tinha dois em cima remando e dois dentro rio sendo puxados. Perguntei o que tinha ocorrido e falaram que tinham “naufragado” seu caiaque. Fiquei bem preocupado, pois era de noite estava frio. Ficar dentro daquele rio gelado poderia ser um risco hipotermia. Quando entregamos o remo já estavam providenciando o resgate deles.
Pedal noturno.

             Chegamos num trecho que teríamos que cruzar o rio, porém a ponte (uma pinguela) tinha apenas os quatro cabos de aço, dois em cima e dois em baixo, onde eram para estar fixadas tábuas. Todas tinham caídas com apenas uns quatro pedaços de paus distribuídos que mais lembravam uma boca banguela. A dúvida era atravessar o rio e ficar com frio por um bom trecho ou arriscar atravessar pelos cabos de aço e correr o risco de cair de uma altura de 8 metros num rio, provavelmente, raso. O Valmir nem pensou duas vezes e seguiu pelos cabos de aço, as duas mãos segurando nos de cima e os pés correndo nos de baixo. Dava agonia só de ver, mas ele passou ileso. Pensei, fudeu vou ter que ir também! Tremendo igual uma vara verde, evitando olhar para baixo e tentando respirar no mesmo compasso que meus pés corriam pelo cabo, consegui atravessar também. A adrenalina foi tanta que deu uma injetada de animo para continuar!


Pódio: 2º Pedro Alex; 1º Marcelo Santos; 3º Ezio.
            A prova já rumava para seu final. Tínhamos um trecho de Mountain Bike de 6 km. Vínhamos andando num ritmo forte, conversando, dando risada e contando histórias. Nessa hora você conhece o espírito gregário que se desenvolve entre as pessoas numa corrida de aventura. Ajuda que Valmir deu para Freddy, o acordo de cavalheiros de seguirmos juntos, as várias histórias contadas e papos sobre o sentido da vida. A natureza inspira uma certa fascinação que não vem separada do medo. O medo sempre ajuda na integração. De uma forma ou de outra, nestas situações, aprendemos a ajudar o outro e esquecer o espírito competitivo de lado, coisa rara nos esportes de alto rendimento.






           As 2 :30 da manhã terminamos a prova, com 17 horas. Descobri que quase todas as equipes tiveram problemas para encontrar o PC4, inclusive algumas muito experientes. Fiquei em segundo lugar na categoria, o Marcelo Santos (líder do ranking solo) faturou e o Ezio fechou o pódio. Apenas os três primeiros de cada categoria conseguiram fazer o circuito completo, a prova foi realmente desafiante. Nada mal para a primeira prova do ano. Bom, tenho que agradecer a organização da Brou que mais uma vez fez uma prova brutal, com navegação muito exigente e passando por cenários dignos de provas gringas. Queria agradecer ao meu treinador Carlos Eugenio pelo incentivo, a Uff esporte por ter acreditado nos meus planos e me conceder a bolsa atleta este ano, ao Maiko (Borba) que me levou na prova e ainda fez um apoio perfeito e a todos meus amigos que me apoiam. Acho que, às vezes, fazemos estas loucuras para nós mesmo e para mostrar que nesse mundo, onde todo mundo faz tudo igual, podemos fazer diferente. Corrida de aventura é um desses esportes em que possível trabalharmos, além das qualidades atléticas, as do nosso espírito! 




















 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Brou Aventuras Santo Antonio do Itambé

Largada
Santo Antonio do Itambé foi o local escolhido pela galera da Brou aventuras para a última etapa do seu circuito. Um lugar maravilhoso, perto de Diamantina e no coração na Serra Espinhaço rodeado por belas montanhas, o lugar ideal para uma corrida de aventura. Cabe um parênteses (como faço mestrado este ano foi bem difícil de conseguir conciliar os treinos com o mestrado, uma pós e as diversas atividades. Ainda bem que com um pouco de saúde e força de vontade consegui encaixar os três durante o ano, mas sabia que depois desta prova teria que dar uma reduzida e voltar a vida de leitura e dedicação total aos estudos). Cheguei bem treinado e cheio de gás, apesar da corrida ter começado na viagem... Togume, Chuchu, Bicudo e uma galera sabe disto....
Larguei bem e estava na ponteira da prova o tempo todo junto com Pablo e a Dupla Caliandra de Goiás. Estávamos num ritmo forte quando comecei a passar mal na subida derradeira da prova. Diminui o ritmo e o Daniel (Romero) me deu um remédio que foi providencial. Consegui seguir na prova, fiz um trekking forte, com direito a um rappel numa cachoeira maravilhosa. Tirei um pouco da vantagem do Pablo e saímos para uma último pedal juntos. Um vacilo bobo e nos perdemos no meio de uma serra de noite, nos custou cerca de  3 horas.
Conseguimos voltar para prova, tentei disputar com o Pablo, mas sua força e sua experiência sobressaiu sob minha juventude no esporte. Enquanto estávamos perdidos Pedro Pinheiro conseguiu assumir a primeira posição, deixando o Pablo em segundo e eu em terceiro.


Prova maravilhosa da Brou, mais uma vez (e não me canso de falar) vocês estão de parabéns. Se preocupam em facilitar a logística para todos os atletas de fora, preparam uma prova maravilhosa e fizeram um circuito magnifico durante o ano. Não é atoa que é o circuito que mais cresce no Brasil.
Bom, resta falar que o objetivo foi alcançado. Fazendo amigos, competindo, evoluindo e se aventurando. Queria agradecer ao Alexandre Bicudo pelo transporte e a pessoa que você é, foi muito bom escutar suas histórias e  compartilhar da sua alegria durante a viagem (Nú Pelo) e a Chuchu pela torcida e conversa. Também queria agradecer ao Pablo, pela disputa que travamos durante a prova, pelos toques no esporte e pela lição de vida, um dia eu aprendo o que é corrida de Aventura!!!

Expedição Estrada Real - Conselheiro Lafaiete


Desta vez o cenário foi Conselheiro Lafaite, a maior prova do ano (150 km) com o maior numero de top 10 do ranking brasileiro. Larguei bem, mais a falta de experiência fez escolher um caminho errado desde do começo da prova.

Fiquei bem para traz, cerca de uma hora por causa da escolha, mais não desisti e segui fazendo minha prova. A prova seguiu dura e realmente não era meu dia, perdi mais tempo tentando encontrar o pc que era sem trilha. Segui na prova e acabei me juntando com a dupla Advogados Aventureiros Minas (Marco Tulio e Gabriel), parceria perfeita. Batemos cabeça uma parte da prova, mas conseguimos terminar juntos. Eu acabei ficando em 6 lugar na categoria solo e os Advogados em 3 lugar. Valeu demais pela prova Marco Tulio e Gabriel, a companhia de vocês foi realmente muito boa e me fez repensar muitas coisas sobre o que é fazer corrida de aventura! E parabéns ao Juninho, a Marizinha e os Brous que levaram a prova na geral, andaram muito!!!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

2° etapa da Brou Aventuras / Aranha: Por que faço corrida de aventura?

No último final de semana rumei para Aranha, distrito de Brumadinho próximo à cidade de Belo Horizonte, para disputar a 2°etapa da Brou Aventuras. Uma região especial, cercada por altas montanhas e uma paisagem incrível. A prova na categoria Pró era dividida em 35 km de trekking, 35 km de Mountain Bike, 19 km de remo, um rapel de 40 metros, sem contar a navegação.
A largada foi dada por volta das 9 horas da manhã na praça central de Aranha. Partimos para um sessão de Trekking de 16 km. A galera saiu num ritmo muito forte desde o começo da prova. Traçamos uma estratégia de não forçar muito no começo, pela distância que tínhamos pela frente. Fizemos este trekking no segundo pelotão, sempre revezando entre os três primeiros da prova com as duplas, Advogados Aventureiros e a ARS.
Saímos para o remo em terceiro. O rio era realmente maravilhoso, com a maioria do trecho repleto de mata ciliar e para completar, um verdadeiro empurra caiaque por um rio raso. Num desempenho fora do normal meu e do Marcos, finalizamos o remo na primeira colocação da prova nas duplas.
Fizemos a transição rápida e partimos para um trecho de mountain bike, com uma parada no meio para o rapel, realizado apenas pelo Marcos. Entregamos a bike na transição junto com as duas outras duplas.
Nesta transição, recebemos um mapa para o trecho de trekking que seguia. Peguei o mapa, conferi os Pcs e partimos em terceiro para esta sessão de trekking. Era realmente maravilhoso este trecho da prova. Tínhamos que subir para o alto de uma serra alucinante e, detalhe, sem trilha.
Nessa hora, tentei uma estratégia que no mínimo era ousada. Como o caminho mais provável subia por um trecho sem trilha, resolvi arriscar e começar a subir a serra um pouco antes do que estava previsto pelo mapa. Entramos num rasga mato danado e logo já estávamos escalando a serra. Era bem inclinado, mas usando as “canela de ema” dava para ganhar um pouco de confiança na subida. Rápido estávamos no alto da serra. Voltamos um pouco para bater o pc 10 e encontramos com o atleta solo Pablo. Ele nos avisou que o pc estava logo a frente e elogiou o ritmo que estávamos.
Bati o pc 10 e o trekking nos levava pelo cumeeira da serra. Estava um final de tarde maravilhoso, de um lado da serra eu via BR 040 e do outro, vários vilarejos no meio do mar de montanhas. Mas ventava muito forte e gelado.
Nem acreditávamos, pois quando fui assinar o pc 10 vi que estávamos em primeiro nas duplas e em terceiro na geral da prova. Foi uma injeção de ânimo que nos ajudou a dar mais energia para fazer este trekking. Com um ritmo muito forte, alcançamos a área de transição na liderança das duplas e em terceiro geral.
Chegamos empolgados pelo desempenho, com a galera elogiando nossa posição. Quando conversando com Zé Elias (organizador), percebi que tinha esquecido de bater o pc9. Foi um verdadeiro banho gelado. Pensávamos que iriamos ganhar a corrida e de repente estávamos desclassificados. Eu não acreditava que tinha cometido esse erro, ainda mais porque eu era o navegador!
Bom, tentamos nos consolar falando do nosso desempenho. Quando a galera da imprensa que estava cobrindo o evento chegou e começou a conversar me pedindo para relatar o que tinha acontecido na corrida e iria me fazer uma pergunta. Tudo bem! - respondi.
De repente, uma câmera apontada para minha cara, com uma luz improvisada para captar a imagem, e surge uma das questões mais difíceis que já me fizeram, e olha que prestei uma prova de mestrado à pouco tempo!
A pergunta era a seguinte: “por que você faz corrida de aventura?” Nossa, naquela hora que de líder fui para desclassificado, era realmente difícil de responder. Não me lembro direito, mas creio que dei uma resposta no sentido que era porque queria ter histórias para contar.... e que corrida de aventura nos ajuda a dar valor em pequenas coisas que temos na vida, como um simples prato de comida ou mesmo um cama quentinha.... Mas, esta resposta não me convenceu, principalmente depois do corpo frio em casa escrevendo esta postagem.
Lógico, que ficar em situações extremas nos ajuda a refletir sobre essas pequenas coisas, ainda mais neste mundo que vivemos hoje, onde que o luxo e os prazeres são os bens mais cobiçados. Mas, creio que quem pratica este esporte (que é no mínimo bem diferente dos outros convencionais) pode até gostar dessas coisas, mas não as têm como objetivo último de suas vidas. Senão, por que diabos estaria se enfiando no meio de um mato, cheio de carrapatos, iria passar frio no alto de uma serra, ter de ficar procurando o caminho morrendo de fome e cansaço??
Por quê? Esta é pergunta que justamente me faço agora, para tentar responder esta pergunta. Corrida de aventura me parece com o jogo da vida (se me permitem esta alegoria), em que nem sempre é o mais forte que ganha, onde temos que ter estratégia, objetivo, perseverança e se esquecer um pequeno detalhe não dá para voltar atrás e pegar novamente. O rumo é sempre pra frente. Quando erramos, na corrida de aventura (e na vida), não temos muito tempo para concertar, e se o erro for caro só nos resta uma coisa, seguirmos em frente e tentar não fazer de novo!!
Acho que é um pouco disso que acaba me motivando a fazer corrida de aventura, é um esporte que acabamos criando outro jogo da vida ali dentro. Temos de treinar várias modalidades, nos preparar para qualquer desafio, ter companheirismo, pois tirando os solos (que são amigos de todo mundo) dependemos dos outros para o nosso desempenho. Não é um pouco isso que vida nos cobra?!?!
A verdade é que apesar de não termos ganhado e nem mesmo conseguido terminar (pois, quando desistimos ainda faltava a última perna de MTB) saí completamente satisfeito. Passei por lugares maravilhosos, fiz bons amigos, me coloquei em situações que jamais pensei que estaria em minha vida. Bom, e fiquei com mais um aprendizado para as próximas provas. Em outras palavras, consegui o objetivo que proponho a fazer corrida de aventura, viver minha vida intensamente e, de preferência, no meio da natureza!
Galera da Brou, Juninho, Zé Elias e Rachel, parabéns pela prova! Vocês estão brutalizando nas suas corridas, escolhendo lugares maravilhosos para passarmos e conhecermos. Fico muito agradecido de ter começado nas provas de vocês, e de tantos perrengues passados, conseguir evoluir um pouquinho mais no esporte e na vida.
Acho que me esqueci da última coisa para descrever o porquê faço corrida de aventura (não que já esteja satisfeito com minha resposta). Tem que gostar um pouquinho de sofrer né?! Acho que Corrida de Aventura deve ser um dos poucos esportes no Brasil, que por enquanto é feito só por Amadores, ou melhor, “Ama-dores”, pois tem hora que dói, e muito!

domingo, 5 de junho de 2011

1° Etapa Terra Fast - Casimiro de Abreu/RJ

trekking na mata.
A cidade de Casimiro de Abreu, a 180 km da capital Rio de Janeiro, ao norte do estado foi o lugar escolhido pela organização do Terra Fast para realizar sua primeira etapa. A região é muito bonita, está localizada próxima a região serrana, com muitas montanhas, rios e mata atlântica exuberante. A prova era dividida nas modalidades de trekking, canoismo, bóia-cross, tirolesa e mountain bike, distribuídas em 60 km.


Cheguei na tarde do sábado que antecedia a prova, fui para o Hotel Vidal (indicado pela organização) deixei minhas coisas e rumei para o brienfing. Tardou um pouquinho para começar, pois a galera de Minas dos Advogados Aventureiros estava a caminho, enquanto esperávamos, a organização passou alguns vídeos de aventura o que só aumentava a empolgação para o dia seguinte.

Eu tinha conseguido treinar bem para esta prova, apesar de não estar no 100% da minha forma, principalmente pela fase que me encontro do mestrado, que tenho muitas aulas. Bom, mas estava com vontade de competir, foi minha segunda prova este ano, a quinta corrida de aventura em que eu participava e a primeira na solo. Encarar este desafio sozinho me deixava um pouco apreensivo, mas ninguém que forma a dupla Harpya poderia vir, então não tinha jeito!

Pegamos o mapa e começou o brienfing, dei uma analisada rápida e vi que não teria muito o que inventar na navegação pela falta de opção de rotas na região. O mapa estava muito bem feito, limpo e postado as regiões de mata fechada, o que ajuda muito na navegação. Terminando, fomos jantar no Hotel que estava hospedado a maioria da galera. Foi bom reencontrar a galera de minas, trocamos umas idéias e eles me ajudaram plotar meu mapa. Material arrumado, equipamento conferido, fui dormir com aquele friozinho na barriga.

Ederson (a frente) e Pedro (ao fundo) terminando o bóia-cross.
Às 5 da manhã já estava acordado, tinha combinado com a galera do Trekeiros que eles iam levar meus equipamentos para a área de transição que distava 8 km da largada. No horário combinado eles estavam lá, deixei minha bike, a bóia e o material de vertical. Tomei um café da manhã legal e fui para zona de largada. Comecei a fazer um pouco de aquecimento, a largada seria em trekking e teria cerca de 6 km de estrada batida até o primeiro trecho de trilha, ou seja, seria uma corrida forte pelas primeiras posições justamente na modalidade que sou mais fraco.

A largada foi dada e o pelotão saiu em ritmo alucinante, o Pablo (atleta solo líder do ranking brasileiro) na primeira reta já começou a abrir vantagem dos demais. Mas atrás vínhamos eu, a dupla Advogado Aventureiro de Minas, a Dupla The Hunters e o atleta solo Ederson Chaves. Aos poucos este pelotão abriu um pouco de vantagem para mim, mas tentei não perde-los do campo visual.

Entramos numa trilha fechada por uma mata linda, e veio o primeiro desafio: tínhamos que saltar da altura de 6 metros dentro de uma cachoeira para começarmos a sessão de canoismo. Nem pensei duas vezes e pulei, foi a melhor maneira de entrar naquela água gelada, te confesso que nem senti tanto frio. Neste trecho de canoismo fui buscando posições, e me juntei com a dupla Advogados. Pegamos nossas bóias no PC 2 para fazer o bóia-cross. Assinei o PC 3 a 4 minutos dos lideres (o que não é muito para mim, devido minha deficiência na corrida) e fiz a transição para descer o rio.
começando a tirolesa.

O bóia-cross foi muito legal, rápido fui galgando posições. Na segunda sessão de corredeiras caí da bóia e fui, literalmente, “socando nas pedras” que me custou algumas escoriações na canela e no joelho. Encostei no atleta solo Ederson e entregamos a bóia praticamente juntos.

Coloquei os equipamentos de vertical e me preparei para fazer a tirolesa. Porém, só tinha uma corda para fazer esta sessão, e apenas um atleta por vez podia fazer à tirolesa. Como eu assinei em terceiro, teria que esperar o Pablo e o Ederson. O Pablo saiu e demorou uns 10 minutos, o Ederson o mesmo, quando fui começar o Pablo já estava iniciando o MTB. Apenas no vertical a diferença do Pablo que era de 3 minutos aumentou para 20, ou seja, impossível de ser recuperada.

Não desisti, pois o MTB é meu o meu forte. Saí em um ritmo acelerado, passei o PC e 5 comecei a subir, peguei dupla The Hunters e passei pedalando em um trecho que eles já estavam empurrando. Mas, no meio da subida começou chover, o piso ficou impossível de pedalar, fui forçado a empurrar e de sapatilha estava deslizando muito!!

Terminei a subida e vinha um longo downhill molhado, tomei o maior cuidado para não cair. Assinei o Pc 6 a quase 20 minutos dos lideres, me desanimou muito, pois apesar de ter muito pedal pela frente era bem difícil de recuperar esta distância. Coloquei meu ritmo e segui, mas não tão fraco, e ainda por azar (ou sorte) minha bike não estava reduzindo para a coroa pequena, tendo que passar todas as subidas na coroa do meio.

Bati o Pc 7 e perguntei a quanto tempo estavam os lideres, o cara me falou que estavam a 3 minutos, fiquei impressionado, e perguntei de novo e o cara me falou que era uma dupla, ai sim ficou esquisito. Será que os caras tinham errado!? Impossível – pensei comigo- pois a navegação era simples e na frente estavam os verdadeiros monstros das corridas de aventura do Brasil!

Pablo (2°), Pedro(1°) e Ederson (3°), podiun do terra fast solo.
Por via das duvidas aumentei o ritmo, para minha surpresa era uma subida muito dura. Parei e coloquei a coroinha com a mão e passei a fazer força, no meio da subida encostei na dupla Forever Linving e perguntei a eles se sabiam que éramos os lideres da prova. Me respodeneram que o PC tinha falado, mas que duvidavam também. Passei por eles e fiz meu ritmo. Acabou a subida e era um longo dowmhill até a chegada.

Quando passei a linha estava todo mundo me parabenizando e começaram soltar rojão, perguntei e me informaram que tinha ganho a corrida na geral!!! Não acreditava, era minha estréia na solo e ainda com uma vitória na geral, era muito para mim. Quatro minutos depois chegou o Pablo e confirmou que tinham errado por quase 10km depois do PC6.

Na verdade estou surpreso até agora com esta vitória, pois realmente naquela altura não acreditava que poderia ganhar. Mas corrida de aventura é assim, ela tem algo que se assemelha a um jogo de futebol, onde nem sempre o favorito é quem ganha. No futebol uma simples bola parada pode mudar a o resultado de um jogo - como um bom corintiano sei disso mais que ninguém. Sorte que desta vez a bola parada estava para o meu lado, e aos 48 do segundo tempo!!!
Galera reunida na premiação.

Assim dá um ânimo para manter o treinamento, principalmente naqueles dias que temos que acordar às cinco da manhã para treinar. Aproveito para agradecer a meu treinador Neném, a toda a galera da CE+3 pelos treinos e a todo que me ajudou e incentivou. Parabéns a organização do Terra Fast, a prova estava maravilhosa, bem organizada e com cenários maravilhosos, já estou aguardando a próxima etapa!!!






sábado, 16 de abril de 2011

1° Etapa do NEREA Corrida de Aventuras – São Bartolomeu/MG

Galera reunida antes da largada.
São Bartolomeu, distrito histórico da cidade de Ouro Preto, antiga rota dos viajantes que buscavam ouro na Vila Rica, foi o cenário da primeira etapa do circuito NEREA de Corrida de Aventura. Boa escolha da organização, a região é muito rica ecologicamente e situa-se na Serra do Espinhaço. Não precisa nem falar como foi o desnível desta prova – como quase todas em Minas Gerais.

Convidei o Marcus, meu camarada, para competirmos na categoria expedição, de 130km. Ele topou na hora, pois está em boa forma e tinha acabado de ganhar a primeira etapa do campeonato capixaba na solo e na geral! Tudo certo, material conferido, partimos para São Bartolomeu, na manhã do dia 26 de março, com um dia lindo. Às 9 da manhã foi realizado um briefing e entregue os mapas, começamos a plotar nossa rota e percebemos que seria uma prova muito dinâmica e dura.

No tempo em que tinha morado em Ouro Preto pedalava muito por esta região, quando olhei o mapa reconheci alguns caminhos que me ajudaram a reconhecer alguns trechos da prova. Às 11 horas da manhã foi dada a largada, estava muito calor, a primeira trilha eu conhecia, entramos forte. Tinha um colega meu de universidade o Hugo, que estava fazendo em dupla com seu amigo Tixa, chamei ele para nos acompanhar na primeira no trekking, pois eu conhecia a trilha.

Em 15 minutos batemos o Pc 1 em primeiro geral, e partimos num ritmo moderado. Entramos subindo a Serra de Ouro Preto, num antigo caminho da estrada real, este trecho era bem bonito andando na serra com mata o tempo todo. Batemos o Pc2 em primeiro geral de novo acompanhados pela dupla Hugo e Tixa. Logo depois o quarteto Trotamundo encostou e passou num ritmo muito forte, nem tentamos acompanhar por que a prova era muito longa. O Pc 3 realmente demonstrava o quanto especial era o lugar que estávamos andando, um chafariz construído ao estilo colonial barroco datando 1782, imagina a quanto tempo e quantos viajantes aventureiros já não tinham passados naquele lugar- não muito diferentes de nós!

Eu e Marcos pegando uma água.
Estávamos fazendo um bom trekking quando um incidente mudou o rumo da corrida para mim e para o Marcão. Em uma descida forte tropecei num arrame farpado que estava no chão, abaixo do capim. Cai de peito e o arame voltou na perna do Marcus e fez um corte profundo. Paramos na hora e fizemos um curativo e voltamos para prova. O Marcus estava resistindo bravamente ao machucado, reduzimos um pouco o ritmo e fomos alcançados por um grupo de corredores.

Chegamos à área de transição e o Marcus estava disposto a continuar na prova. Pegamos a bike e saímos, e logo de cara tinha uma longa subida. O Marcus começou a ter forte câimbra na panturrilha, da perna que não estava machucada. Devido ao grau do machucado, o Marcos resolveu voltar enquanto ainda estava perto e ir dar pontos. Como já estava aguado para fazer uma Corrida de Aventura este ano, resolvi continuar na prova e testar como estava meu treinamento e meu físico. Juntei com a dupla Hugo e Tixa e fomos fazer o pedal.

A bike estava sendo tranqüila, uma navegação exigente, mas o mapa estava bem atualizado facilitando a navegação. Chegamos no PC9 da prova e batemos em 2º e 3º geral da prova, eu conhecia uma das rotas que levava ao PC 10, mas tinha um caminho no mapa que era muito sedutor. Saímos eu, Hugo, Tixa e o Matheus, não demorou muito encostou o Juninho da Brou, e um pouco mais a frente o quarteto Trotamundo. Chegamos à entrada de onde era a possível trilha que levava direto ao PC 10. Quanto mais subíamos, mais a trilha ia se fechando, até chegar o momento que ela se fechou de vez. O Ezio e o Dino da Trotamundo subiram tentando achar a entrada da trilha, depois de quase meia hora voltaram falando que não tinha encontrado.

Conversamos todos e resolvemos tentar outra rota mais longa, mas que subia menos. Paramos em São Bartolomeu, tomamos uma Pepsi (que até parecia Coca) e comemos. Com um pouco de dificuldade na navegação noturna batemos o PC 10. A noite já esfriava bem, e eu já não via a hora de chegar à minha caixa para pegar minhas roupas de frio.

O Pedal noturno era muito exigente com muitas subidas e fechado por matas ao redor. Ao longo deste trecho o pelotão foi se dispersando, a Trotamundo o Juninho e o Matheus seguiram na frente, eu, o Hugo, o Tixa e o Daniel Romero ficamos um pouco mais para traz. Chegamos ao PC 11 onde estavam nossas caixas e onde faríamos o rapel. Para o alivio de todos, o rapel tinha sido cancelado, pois era em uma cachoeira e era arriscado de ser feito de noite. Paramos para descansar e o primeiro pelotão já partiu para ir buscar o AT para o remo.

Eu e o Daniel Roemero
Comemos bem, trocamos de roupa e lubrificamos a bike no PC11. O caminho para o PC e AT 12 era muito confuso e difícil de ser visualizado a noite e a organização havia deixado uma indicação da rota. Se não fosse esta indicação estaria perdido lá até agora. Era uma trilha bem fechada no meio de uma mata e muito lisa pela umidade, sem contar que o azimute não batia em nenhum momento com o mapa. Batemos o AT para o remo à uma da manhã.

O Hugo e o Tixa estavam exaustos, eu não queria de jeito nenhum partir para um remo de 22km noturno sozinho. Decidimos tirar um pequeno cochilo no AT para repormos um pouco de energia. O combinado era que dormiríamos uma hora, mas o caminhão de transporte dos barcos estava no AT e para ajudar cheio de plástico-bolha. Fizemos uma verdadeira cama com os plásticos com direito a travesseiro e cobertor!! Rsrsrs. Nestas horas você percebe como que uma simples dormidinha é tão prazerosa, dormimos até as 6 da manhã.

No meio da noite o Daniel Romero chegou também no AT e parou para dormir. Acordamos todos e nos perparamos para remar, eu e Daniel decidimos ir em um barco duplo, em vez de solo. O remo foi parte nos rio das Velhas e entrou em um pedaço de lagoa. Foi um remo espetacular, com uma vegetação maravilhosa ao redor, principalmente na lagoa.

Depois de 4 horas de remo batemos a segunda transição, com direito a uma jaracuçu nadando do lado do barco na hora de descer na lagoa, por pouco não piso nela. Para nossa sorte, um pedaço do próximo trekking tinha sido cancelado pela movimentação de caminhões no trecho. Deixaram-nos de caro no pc14 e partimos. Esta parte do trekking foi muito boa, e ter a companhia de Daniel ajudou a romper monotonia, ele já é um corredor com mais de 10 anos em corridas de aventura, e me deu uma verdadeira aula do esporte.
Batemos o pc15 que era a casa de um garoto, num local realmente privilegiado. Era no meio de um vale, com duas cachoeiras de fundo maravilhosas e um campo de futebol. Eu fico imaginando com tem gente que investe milhões em um imóvel para não ter nem a metade de espaço que aquele garoto desfruta na sua vida.

Uma da tarde chegamos no AT pata pegarmos nossas bikes, e saímos para um pedal tranqüilo de volta a São Bartolomeu. Terminei a corrida às três da tarde, depois de 28 horas de prova, e por incrível que pareça com um sorriso enorme no rosto e sem me sentir cansado, e se ainda estivesse valendo resultado, em 4° geral. Fazer 100% do percurso de uma corrida como esta não fácil. E nessas horas que começo a perceber que o que mais me motiva a fazer corrida de aventuras, não é vontade de subir em primeiro lugar no podium, ou saber que sou bom em um esporte. É simplesmente o gosto de estar em meio à natureza, em situações extremas (leia-se, em verdadeiras roubadas).
Vamos descobrindo este sentimento, justamente nas horas que estamos perdidos, com frio, com fome, doido de vontade de dormir em uma cama quentinha e apenas o que nos motiva seguir em frente (pelo menos no meu caso) é uma vontade de saber qual vai ser a próxima surpresa e próximo lugar que organização vai nos enfiar!! Galera do NEREA vocês estão de parabéns pela organização, a prova foi maravilhosa, dinâmica, com muita navegação e passando por lugares deslumbrantes. Já estou aguardando a próxima etapa em Itabirito, e pelo local, acho que não vamos escapar das subidas!